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Jusqu’à la garde(2018)

Há 9 meses | Drama, | 1h33min

de Xavier Legrand, com Léa Drucker, Denis Ménochet, Thomas Gioria e Mathilde Auveneux


Jusqu’à la garde é a primeira longa-metragem do cineasta Xavier Legrand, que fez sensação no Festival de Veneza, onde ganhou o Leão de Prata de Melhor Realizador e o prémio de Melhor Primeiro Filme. É com esta curiosidade, que vos trago a crítica de hoje.

O que nos conta o filme?

O casal Besson está em pleno divórcio. Pai e mãe lutam pela guarda dos filhos, precisamente do mais novo, Julien (Thomas Gioria), já que a mais velha (Mathilde Auveneux) está perto dos 18 anos. Miriam, a mãe (Léa Drucker) deseja a exclusividade única da guarda, recusando a proposta do pai (Denis Ménochet), de ver o filho um fim-de-semana a cada duas semanas. Miriam acusa-o de violência. Começa então uma sucessão lenta e dolorosa de cenas mais intensas que outras. Julien poderá ser o único a salvar a situação do imaginável.

Os primeiros quinze minutos são fascinantes e ao mesmo tempo desconcertantes. É uma sequência filmada no escritório de um juiz especializado no divórcio, que convocou os dois ex, no âmbito de questionar a guarda das crianças. É uma cena que marca o tom do filme com brio, apresenta-nos os protagonistas e deixa-nos com várias perguntas. O pai será realmente violento? A mãe estará a dizer a verdade? Por que razão é que os filhos estão montados contra o pai?

É uma obra cinematográfica que leva o espetador até às entranhas do caos do divórcio. O realizador soube abordar este conceito ainda pouco explorado na Sétima Arte, conseguindo magnificar o seu elenco.

O jovem Thomas Gioria tem uma das melhores performances que já vi na vida para a sua idade. É emocionante, verdadeiro e não hesita em demonstrar todas as suas capacidades de fragilidade e do medo. Dénis Ménochet tem o melhor papel da sua carreira, percebendo onde levar o seu acting. Conseguimos sentir empatia pelo pai, assim como repugnância. Ele desafia o espetador a acreditar nas suas palavras e não naquilo que lhe acusam – violência. Léa Drucker mostra com bio o que é sentir o medo constante e a plena definição de vulnerabilidade. Pelo contrário, convida-nos a estar distante dela, e não sabemos realmente se as suas histórias são todas falsas, ou não.

A realização é realmente eficaz. As cenas são filmadas com vários cortes, com perspetivas diferentes para instalar uma ambiência sufocante – utilizando o silêncio como complemento à dureza das cenas. Sentimos o tempo a passar, que ajudam a desenvolver a psicologia dos protagonistas.

É um filme bastante interessante, que quer abordar a questão social que é o divórcio, assim como as suas consequências. Só quem passa por isso é que tem mínima noção da realidade. Enquanto espetador, consegui sentir essa realidade no meu visionamento.

É um thriller duro e real que tem umas das sequências finais mais assustadoras que já vi. A realização e a tensão da cena é tão fria e mórbida, que assusta qualquer um. O filme vai-nos preparando psicologicamente para esta “bomba” final, mas longe de mim pensar que ia ser assim tão aterrorizante.

Jusqu’à la garde foi um filme que fez sensação, assim como o seu realizador. Xavier Legrand domina com brio o seu tema, e tem um futuro promissor. Aconselho o filme a quem tiver interesse nos temas sobre o divórcio, ou quem desejar ver um drama impactante. É um grande momento de cinema.


Alexandre Costa
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