Vale a pena passarem pelas salas de cinema, se forem fãs de aventura ou fantasia e se procurarem algo novo visualmente.

Vale a pena passarem pelas salas de cinema, se forem fãs de aventura ou fantasia e se procurarem algo novo visualmente.

2018
Ação, Aventura, Fantasia | 2h23min
de James Wan, com Jason Momoa, Amber Heard, Willem Dafoe, Patrick Wilson, Nicole Kidman, Dolph Lundgren e Yaha Abdul-Mateen II


Aquaman é o novo filme da DC Extended Universe, que chega nas salas de cinema com um objetivo maior do que parece. Primeiramente, é uma obra que consiste em recolher milhões de dólares no box office mundial. Depois e, provavelmente o maior que tem é de tentar salvar o Universo da DC após o fracasso nas bilheteiras e criticas negativas do terrível Justice League (2017).

É um projeto ambicioso e cheio de energia. Não só pela sua campanha de marketing impressionante – é o filme com maior orçamento deste final de ano. A realização é entregue a James Wan, o autor dos intrigantes Saw (2004), The Conjuring (2013) e The Conjuring 2 (2016). Wan é um realizador com um estilo bastante próprio – pelos seus diversos planos-sequências, pela sua forma de filmar ações com uma câmara “voadora” e pela composição de tensão das cenas. O cineasta teve interesse no projeto, por ser um grande fã dos comics book da personagem Aquaman – coisa rara para um herói considerado pouco interessante e cromo. Será que Wan faz jus ao universo de Atlantis?

Primeiro que tudo, o que nos conta o filme?

Depois de salvar o mundo com ajuda da Justice League, Arthur Curry (Jason Momoa) regressa a casa e conta-nos as suas origens. Sendo o herdeiro do trono de Atlantis, é forçado a assumir as suas responsabilidades e liderar o seu povo para impedir uma guerra. Guerra essa, originada pelo seu irmão Orm (Patrick Wilson) que procura unir os Reinos dos Sete Mares contra o mundo da superfície. Arthur terá de escolher: o mundo dos Homens, onde foi criado ou, o seu mundo Aquático. A única maneira de parar esta guerra é de encontrar o poderoso e único Tridente mágico, criado por Poseidon, com a ajuda de Mera (Amber Heard).

É um filme com uma ambição alucinante! Propõe-nos uma história diferente de todos os outros do mesmo Universo. Tal como Wonder Woman (2017) conseguiu a sua origin story, Aquaman também alcança esse objetivo. Tem tanta ambição nas suas 2h20 que por vezes parece que vai longe demais. Pelo menos para uma parte da audiência que procura algo simples. As misturas de géneros são enormes: desde a saga Star Wars (1977-), pelas suas sequências de guerra submarinas, Avatar (2009) pelas suas diversas criaturas e efeitos visuais (2009), The Abyss (1989) pela tensão e mistérios aquáticos, da saga Indiana Jones (1981-), pela aventura e procura do Tridente, The Lord of the Rings (2001-2003) pelos diversos Reinos Aquáticos, batalhas e dinastias e por fim, as histórias do Jules Verne pela ficção. Sem contar a repleta ação digna de um filme da DC.

A realização de James Wan torna o Aquaman num verdadeiro herói. As cenas de ação são explosivas – quer sejam de corpo a corpo, onde Jason Momoa é uma besta, ou nas imensas cenas de batalhas submarinas. As lutas são acompanhadas por movimentos de câmara fluídos e inúmeros planos-sequências – tal como referi acima, é uma das marcas de James Wan.

Aquaman fez-me lembrar Black Panther pelo seu argumento – uma conquista para o Reino, uma preparação de uma batalha e a odisseia de um verdadeiro herói para ajudar o seu povo.

A química entre Jason Momoa e Amber Heard é credível. A relação entre os dois está constantemente em evolução. O que ajuda a audiência em aceitar o novo estilo da DC – a comédia, algo que era inexistente nos precedentes. A receita do MCU (Marvel Cinematic Universe) é de tão grande dimensão, que maioria dos blockbusters estão repletos de comédia. Em Aquaman funciona uma piada sobre duas. Podia ser pior, podia ser melhor.

Há um enorme trabalho perante os Reinos Aquáticos – a Capital – Atlantis é visualmente incrível. Pelas suas cores e detalhes. É um filme cheio de cores e bonito. O CGI durante a longa-metragem é um 8 ou 80. Por vezes incrível, outras péssimas. O mau CGI tira-nos ligeiramente das profundezas dos oceanos – o que é pena para um orçamento tão grande.

Apesar das suas lacunas nos efeitos visuais, de um argumento simples, de uma história pouco inovadora e de um terceiro ato cheio de ação e longo, é um filme que não posso deixar de aconselhar. Vale a pena passarem pelas salas de cinema, se forem fãs de aventura ou fantasia e se procurarem algo novo visualmente. Não é brilhante, mas cumpre o que promete, é um agradável filme de aventura, como raramente têm vindo a estrear.

Nota: Não é necessário ver os antecedentes filmes da DC para esta longa-metragem. 


por Alexandre Costa