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V for Vendetta(2006)

Há um mês | Ação, Drama, Sci-Fi, | 2h12min

de James McTeigue, Hugo Weaving, Natalie Portman, Rupert Graves e Stephen Rea


“Remember, remember the 5th of November, the gunpowder treason and plot. I know of no reason why the gunpowder treason should ever be forgot!”

Numa realidade paralela, V for Vendetta retrata uma Inglaterra futurística pós-apocalíptica, dominada pelo sistema fascista. Evey Hammond (Natalie Portman), uma mulher que repudia esta visão política mas que vive sob um medo constante, ao ser salva por V (Hugo Weaving) de ser violada por membros de segurança do Governo, reconhece que há uma esperança. Ao conhecê-lo melhor compreende os seus ideais e acaba por se tornar apoiante do mesmo. V aparece apenas com uma máscara do Guy Fawkes e pretende iniciar uma revolução. A máscara simboliza uma ideia, um propósito, um movimento muito mais forte que ele. E, é este mesmo pensamento que nos é transmitido ao longo do filme.

Esta história é uma adaptação feita por James McTeigue, de uma banda desenhada britânica com o mesmo nome do filme escrita por Alan Moore e desenhada, maioritariamente, por David Lloyd. Ao deparar-se com o resultado do filme, Alan Moore tomou a decisão de se distanciar de todas as ligações que poderia vir a ter com o trabalho.

Acabadas as curiosidades, começo por falar da narrativa. V tem um discurso poético, forte, carismático e icónico. A personagem ganha uma outra vida graças ao seu diálogo. E, com a ajuda de Evey, a mensagem mais facilmente se passa. Ela representa todos aqueles que não concordam com a política do seu país, mas que vivem num desconforto constante, ousando pensar num mundo melhor. V torna-se o impulsionador da revolução, mas esta acaba por ser feita pelo povo. “People should not be afraid of their governments. Governments should be afraid of their people.” Hugo Weaving conseguiu dar vida a uma personagem muito importante. Mesmo usando máscara em todos os momentos, o sentimento, o carisma foi transmitido da melhor maneira possível, conseguindo-se assim criar uma empatia por V. E, claramente, a presença da Natalie Portman não passou despercebida. Acompanhamos o build up da personagem, de uma Evey que parece bastante frágil e sensível, e que ao longo dos minutos passa a ser uma personagem sem medo, sem qualquer sentido de empatia ou dor. E, obviamente, a atriz conseguiu transmitir isso tudo com a sua prestação.

V for Vendetta é o perfeito exemplo do que os extremos políticos podem fazer. No entanto, no outro lado da interpretação, o ideal anarquista de V, não é muito melhor. Há sempre estas variantes que podem ou não afetar o gosto do espetador sobre este trabalho. Contudo, o filme não deixa de ser uma obra de arte, uma crítica clara e concreta a um certo lado político (sobre o qual não tecerei qualquer comentário, porque a imparcialidade é importante para a análise do filme) e um verdadeiro statement.

O realizador optou por dar mais foco ao diálogo do que aos efeitos visuais, ou sequências cénicas muito elaboradas. Sim, temos os momentos de luta de V, temos a prisão de Evey, temos as explosões. No entanto, o que dá verdadeiro impacto a isto tudo, é o guião. Pequenos diálogos recheados de conhecimento e de quotes para se partilharem nos stories do Instagram.

Ao fazer alguma pesquisa, deparei-me que muitos não concordam com a premissa do filme, chegando assim a detestar a cena final – nesse aspeto, concordo em discordar. Os últimos minutos concluem todas as questões que foram levantadas ao longo do filme. Dão fim ao trabalho, mas inicia outra onda de pensamento. A explosão do Parlamento é o acontecimento utilizado para ser o ponto de ignição da Revolução. Ali podemos ver representados todos aqueles que morreram por terem um pensamento diferente, vemos todos aqueles que estando vivos, têm esperança para um futuro melhor. Um futuro livre.

Para alguns este filme serviu de exemplo. O momento foi aproveitado para que os anarquistas tivessem o seu espaço para serem ouvidos, apresentando assim o seu sistema. Os Anonymous aproveitaram a máscara do Guy Fawkes para se tornar na sua imagem de marca. Por outro lado, temos o sistema político criticado, antagónico à anarquia que se sentiu extremamente atacado com este trabalho, acabando por tecer críticas pesadas a este trabalho. Enfim, estamos perante um filme que criaria horas de debates, discussões intensas. Por este motivo, creio que seja importante que esta longa-metragem seja visionada por todos, tanto para conhecer esta obra como para nos conhecermos a nós próprios.

 “The only verdict is vengeance, a vendetta, held as a votive not in vain.”


Raquel Lopes
Outros críticos:
 Rafael Félix:   8
 Alexandre Costa:   8
 Pedro Quintão:   7