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Unfriended: Dark Web(2018)

Há 8 meses | Terror, Mistério, | 1h33min

de Stephen Susco, com Colin Woodell, Stephanie Nogueras, Betty Gabriel e Rebecca Rittenhouse


Em 2015, o trailer de Unfriended tornou-se viral. Nele podíamos observar a história sobrenatural de Laura Barns, uma jovem que se suicidou e, algum tempo mais tarde, aterrorizou um grupo de adolescentes durante uma chamada de grupo no Skype. À primeira vista, parece um convencional filme de terror série B, contudo, destacava-se por se passar integralmente através do desktop de um computador. Após o seu lançamento, acabou por receber reações mistas por parte do público e por se afirmar num modesto sucesso no box office. Posso assumir que o original está na minha lista de piores filmes de sempre, mas tive uma certa curiosidade em ver esta sequela, devido à excelente surpresa que tive ao assistir a Searching (2018), que possui o mesmo formato de mostrar toda a ação através da tela de um laptop.

 

Caraterizando-se como uma sequela sem qualquer ligação com a obra original, Unfriended: Dark Web apresenta-nos um grupo de jovens adultos, que se reúnem via Skype para um jogo de cards against the humanity, mas nenhum deles suspeita que estão prestes a viver a pior noite das suas vidas, a partir do momento em que se deparam com uma coleção de vídeos snuff. Aparentemente, a premissa principal é interessante. Confesso que me causou logo a expectativa de estar perante um filme semelhante a Tesis (1996), 8mm (1999) ou até mesmo a Hostel (2005), só que com uma abordagem mais tecnológica. Todavia, encontrava-me completamente enganado.

 

Unfriended: Dark Web demonstra-se sofrível, mantém os mesmos problemas que me fizeram odiar o original. O realizador e argumentista, Stephen Susco, não aprofundou a temática do snuff ou da deep web, na verdade, preferiu acobardar-se em vez de escrever um argumento arrojado. Aborda estes temas através de uma visão extremamente básica e superficial, sem conseguir perturbar ou sequer ensinar algo. Para piorar tudo, os produtores tomaram a decisão de incluírem hackers omnipotentes, possuidores de super-poderes que os permitem controlar absolutamente tudo e, até mesmo, ficarem invisíveis. É uma fusão de péssimas ideias, que soam como se estivéssemos perante um projeto cinematográfico produzido por jovens do ensino básico.

 

O verdadeiro horror assume a forma de um argumento confuso, ridículo, com diálogos terríveis, cuja finalidade passa por colocar os personagens a gritarem perante uma webcam, em vez de os inserirem numa narrativa profunda e cativante. O elenco destaca-se por ser o pior deste ano, todos os membros são inexpressivos, aborrecidos e limitam-se a gritar uns com os outros. Confesso que em diversos momentos senti vergonha das suas interpretações. Estas encontravam-se ao mesmo nível das atuações vistas nas curtas-metragens que eu produzia com os meus amigos, durante o meu 9º ano de escolaridade.

 

Esteticamente é confuso, sujo e monótono. A fotografia e a edição não possuem um aspeto clean e fluído, como foi possível contemplar em Searching. Perdi a conta da quantidade de vezes que me senti perdido no meio das ações ocorrentes no ecrã e essencialmente sobre o que estava a acontecer na narrativa. É um dos prováveis candidatos à minha lista de piores filmes de sempre e absolutamente um dos piores filmes do ano. “Unfriended: Dark Web” acaba por nos dar 90 minutos de autêntico terror, graças às atuações horríveis e à execução sofrível de um péssimo argumento.

 

Procuro sempre tentar encontrar um ou dois aspetos positivos, quando estou perante algo mau. Infelizmente, neste caso, não consegui encontrar nenhum elemento positivo, tudo é retratado de uma forma péssima e bastante superficial. Se procuram uma experiência diferente, tentem ver algumas das obras que mencionei nesta crítica e evitem esta a todo o custo.


Pedro Quintão
Outros críticos:
 Sara Ló:   5