Inscreve-te e tem vantagens!

Elite - 3ª Temporada(2018)

Há 10 dias | Crime, Drama, Thriller, |

de Carolos Montero e Darío Madrona, com Itzan Escamilla, Ester Exposito, Arón Piper, Álvaro Rico, Miguel Bernardeau, Mina El Hammani, Danna Paola, Claudia Salas, Jorge López e Georgina Amorós


Em 2018 surge mais uma série Netflix proveniente de nuestros hermanosElite (1ª Temporada). Podia voltar a explicar novamente qual o plot da série, mas se estão por aqui vou deduzir que não só o sabem, como viram as consequências deixadas para a 2ª Temporada (2019).

Portanto, be advised, como sempre, a crítica à 3ª temporada vai, naturalmente, conter spoilers provenientes das duas temporadas antecedentes. Vamos lá, então.

Quando tudo parecia, finalmente, resolver-se com a prisão de Polo (Álvaro Rico), vimos, nos últimos segundos da 2ª temporada, o regresso do assassino de Marina ao colégio Las Encinas. Que nos fez deduzir que a nova temporada seria sobre a convivência e explosão de emoções entre os alunos. Bem, a Netflix apresentou o trailer da nova temporada e deixou tudo isso por terra: Polo morre e vamos tentar perceber quem o matou e porquê, numa altura do campeonato em que poderia ser, de facto, qualquer um, até mesmo o vizinho do lado, salvo seja.

Eu vou evitar, ao máximo, abordar a temática do guião por uma simples razão: a sua simplicidade. Atenção, simplicidade não tem que ser mau, que neste caso até nem é, mas por esse aspeto é fácil dizer algo que vos dê a resposta ao mistério que esta temporada quer impor.

No entanto, tenho que referir o tom com que se apresenta, precisamente, a narrativa. É o último ano das nossas personagens em Las Encinas. Nem todos chegaram ao fim, claro. Perdemos Marina (Maria Pedraza) e Christian (Miguel Herrán) – na 2ª temporada, ainda que não morto, devido ao estado psicológico do ator que também entra em La Casa de Papel. Mas podemos ver o fechar de um ciclo de quase todos eles.

E é precisamente toda essa a aura que a 3ª temporada de Elite impõe, de caras, a nós. Guzmán (Miguel Bernardeau) e Samuel (Itzan Escamilla) toleram-se agora, depois dos eventos da temporada passada; Polo (Álvaro Rico) seguiu em frente sobre Carla (Ester Exposito) e abraça o seu novo romance com Cayetana (Georgina Amorós) – e sabe-se lá se com quem mais… –; Nadia (Mina El Hammani) está mais que destemida a assegurar a sua bolsa, competindo com Lu (Danna Paola), e por aí em diante.

E embora o enredo policial seja importante – e já lá vou –, o bom desta 3ª temporada é que não é o foco principal. Esta temporada tresanda a redenção, a cedência, a justiça, a um “finalmente”, por parte de todos. Sem exceção, até mesmo nós. Os astros alinham-se precisamente na altura que têm que se alinhar e assim é. O fim. Até que não é… E isso deixou-me entristecido. O ciclo destas personagens está mais que completo, poucas coisas ficaram por fazer e dizer. Mas ainda assim, fechamos a temporada com um tom completamente diferente: o de “vem aí mais”.

E isso vai-me fazer repensar sobre toda a qualidade da série. E passo a explicar, rapidamente. São adolescentes. Ricos, mas adolescentes. E mesmo assim estamos a falar de uma série que se apresenta com dois assassinatos. A ideia passa, agora, por trazer um elenco totalmente novo e continuar. Mas continuar como? Mudam-se as personagens, mas os assassinatos continuam? Então ou vão enrolar a série até ser o mais intragável possível, ou vão passar atestados de burrice a todos e andamos aqui a reciclar sem razões para tal.

Enfim. O enredo policial não vai merecer muito destaque da minha parte pelo simples facto que a Inspetora (Ainhoa Santamaría) é capaz de ser a mais naba da história de Espanha, por ser enganada três anos consecutivos por crianças. E o pior é que até lhe jogam isso em cara, perto do fim – justificar o lazy writting eheh.

Mas quero dizer que fiquei reticente com a decisão que os criadores Carlos Montero e Darío Madrona tomaram para o final da temporada. É uma decisão que pode ‘romantizar’, se assim se pode dizer, o assassinato e/ou até justifica-lo. Isto, sendo uma série, sobretudo, para um público jovem é, no mínimo, perigoso.

Por fim, é uma temporada que se vê bem ao estilo Netflix, numa maratona de intrigas, romances exaustivos e num crescimento que origina redenção. É, portanto, uma temporada de uma série feita sobre adolescentes, para adolescentes, mas tem o seu quê de qualidade.


Pedro Horta
Outros críticos:
 Pedro Freitas:   9Abrir
 Pedro Quintão:   7Abrir
 Pedro Horta:   8
 Pedro Quintão:   9