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Le Chant du Loup (2019)

Há 2 meses | Ação, Thriller, | 1h55min

de Abel Lanzac, com François Civil, Omar Sy, Mathieu Kassovitz, Reda Kateb e Paula Beer


Identifico-me bastante com o cinema francês. É uma cultura repleta de diversas obras, que vão desde comédias excêntricas a dramas familiares muito pesados. Na minha opinião eles vivem e respiram cinema. Por vezes, um jovem realizador, saído dos confins do mundo realiza um primeiro filme, que acaba por ser muito bom, ou, uma verdadeira surpresa. Foi o caso do mediático Grave / Raw (2016), do interessante Revenge (2017) e do recompensado Jusqu’à la Garde (2018). Le Chant du Loup interessou-me através uma entrevista de Omar Sy – Intouchables (2011), pois, comparou-o ao Dunkirk (2017) sobre a imersão do trabalho sonoro.

O que nos conta o filme?

Chanteraide (François Civil) não é um jovem como os outros. Ele possui um dom. O dom de reconhecer todos os sons que ouve, que sejam provenientes de curta ou longa distância. A bordo de um submarino nuclear francês, todas as situações repousam sobre os “ouvidos dourados” dele. Considerado infalível, ele comete um erro ao reconhecer mal outro submarino que coloca toda a sua tripulação em perigo de morte. Chanteraide quer recuperar a inteira confiança dos seus colegas, mas as suas decisões só o colocam numa situação ainda mais dramática. No mundo da dissuasão nuclear e da desinformação, os membros do submarino encontram-se presos numa engrenagem incontrolável.

Os primeiros 15 minutos estão realizados com uma mestria no que toca a misturar a tensão e as capacidades do protagonista. O trabalho sonoro é a maior força da longa-metragem. Temos a sensação de acompanhar e ouvir o que Chanteraide ouve – embora não perceba nada sobre submarinos. Mergulha-nos no determinismo e na obsessão do jovem em perceber no que é que errou, e porquê. Será que foi ele? Será que está mais alguma coisa em jogo?

Tal como referi no primeiro parágrafo, o cinema francês revela novos talentos e Abel Lanzac não escapa à regra. Para um primeiro filme, soube perfeitamente compor planos extremamente bonitos – todos aqueles que decorrem debaixo de água são uma beleza. O cineasta sabe mostrar a aflição num espaço apertado, colocando demasiados atores num décor restrito. O jogo de luzes dentro do submarino é real e contribui para acreditar e salivar todas as informações que nos são dadas.

O elenco é credível. François Civil é um protagonista que gostamos de seguir, possui uma forte empatia, fazendo com que queremos descobrir a origem do seu erro. Omar Sy sai do seu registo de comédia e é muito bom no papel de comandante.

Estão a ver o clímax de The Dark Knight (2008)? Aquela cena dos barcos e da bomba? Então Le Chant du Loup é exatamente isso, mas em muitos, muitos, muitos mais minutos.

Le Chant du Loup é um ótimo filme para sair da nossa zona de conforto. É uma obra diferente, que carrega uma energia particular e possui um trabalho sonoro completamente imersivo. É uma boa surpresa deste ano. 


Alexandre Costa
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