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Queen & Slim(2019)

Há 21 dias | Crime, Drama, Romance, | 2h11min

de Melina Matsoukas com Daniel Kaluuya, Jodie Turner-Smith e Bokeem Woodbine


Melina Matsoukas. O nome da realizadora pode não ser muito conhecido, mas é ela que está por trás da realização do videoclip da música Formation da Beyoncé, por exemplo. E conta com trabalhos com Rihanna, Lady Gaga, Robin Thicke e muitos outros artistas. Realizou alguns episódios de Insecure (2016-) e Queen & Slim é o seu primeiro filme como realizadora.

Nesta longa-metragem acompanhamos a jornada inesperada de um casal afro-americano. Depois de um péssimo primeiro encontro, marcado pelo Tinder, ao voltarem para casa são intercetados pela polícia. Sem oferecerem qualquer tipo de resistência inicial e a mostrarem-se 100% cooperantes, acabam por entrar em conflitos com a autoridade que resulta na morte do polícia. No calor do momento e sabendo o seu destino, decidem fugir.

E é a partir daqui que a história inicia. Duas pessoas que nada têm em comum (para além da cor da pele) deixam tudo o que têm para tentarem chegar a um local seguro. Nestas tribulações encontram-se com pessoas que os ajudam, que os escondem e que espelham neles mais do que um crime, uma mensagem. E, claramente, o espetador também sente o mesmo.

Queen & Slim, um título apelativo e que não sai das nossas cabeças em todo o decurso do filme. Desconhecemos desde o início os nomes das personagens, obrigando-nos assim, a associar os nomes Queen e Slim às personagens de Daniel Kaluuya e Jodie Turner-Smith. E que, por si só, achei incrível. A revelação dos seus nomes só é feita nos últimos minutos do filme.

O avanço da narrativa tem um passo muito próprio e propositado. A realizadora não quis, em momento nenhum, apressar o desenvolvimento. Contamos com sequências rápidas e intensas, como também momentos extremamente parados mas que, fazem o seu sentido para dar outra dinâmica e química às personagens.

No entanto, pessoalmente, senti que foram demasiadas para o tempo que tinham. Estão a fugir da polícia, mas têm tempo para estacionar na berma da estrada para andar de cavalo? Para mim foi estranho, no entanto, deu personalidade às personagens, humanizando-as com a exposição das suas necessidades como fome, cansaço, líbido, frustração, esperança. Cada momento mais lento tinha a sua razão de ser, e cada um é único e intenso.

Outra coisa que se destaca é a não existência do contexto inicial das personagens. Não conhecemos a fundo o seu background, a sua história, até mais ou menos a meio do filme. E, mesmo assim, o que conhecemos não é suficiente para criarmos um perfil sobre eles. Nisto, há uma abertura para que o espetador crie a sua própria opinião e que ganhe empatia, no presente, pelas personagens.

Descobri, após ver o filme que as personalidades das personagens foram baseadas no Malcolm X e no Martin Luther King. E, as características de ambas as personagens remontam para estes dois ativistas. A garra de X e a calma de Luther King estão, claramente, espelhadas nas personagens, trazendo um balanço muito importante na apresentação da dinâmica do casal.

Daniel Kaluuya não nos é desconhecido depois de ter o seu highlight no Get Out (2017), participação no Black Panther (2018) e também num episódio de Black Mirror (2011-). Com a sua personagem, trouxe mais uma vez o seu carisma e sentimento para a representação. Mostra-nos uma faceta que, para mim, me era desconhecida. E, devo dizer, que deu outro complemento ao filme. Jodie Turner-Smith também teve o seu papel de destaque e, agarrou-o da melhor maneira que conseguiu. E fê-lo bastante bem. Passando a clássica imagem de uma strong independent black woman, deu-nos a sua faceta firme, mas também nos deu os seus momentos de fraqueza. Em suma, uma dupla que ganhou o título da versão negra de Bonnie and Clyde.

Queen & Slim é um filme que é muito mais do que uma fuga. É uma história cheia de sentimento e com uma mensagem muito direta nas entrelinhas. Uma longa-metragem carismática, apaixonante e que conta com o seu próprio ritmo. 


Raquel Lopes
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