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The Witcher - 1ª Temporada(2019)

Há 23 dias | Ação, Aventura, Drama, |

criado por Lauren Schmidt, com Henry Cavill, Freya Allan, Anya Chalotra, Wilson Radjou-Pujalte e Adam Levy


Quando todas as headlines que a vista alcança têm como título “The Witcher vem substituir Game of Thrones”, ou “The Witcher é a série mais bem cotada da Netflix no IMDb” ou até mesmo “The Witcher é a melhor série musical desde Glee” (ok, esta posso ter sido eu, but you get my point), o meu nariz começa automaticamente a torcer-se em ângulos anatomicamente perigosos. Mas a minha curiosidade é demasiada para ignorar tudo o que tenha elfos, criaturas sanguinárias e perucas brancas. Portanto lá fui eu, de mão dada com Geralt de Rivia pelo Continente, nesta aventura de 8 horas em que a Netflix enterrou cerca de 75 milhões de dólares.

Esta primeira temporada segue três jornadas distintas. De Geralt de Rivia (Henry Cavill), um Witcher, que é um guerreiro mutante com força e resistência sobrenatural e com habilidades mágicas, enquanto percorre o Continente em busca de monstros para caçar. Yennefer (Anya Chalotra), uma jovem com poderes incríveis que ingressa numa escola de feitiçaria e que acaba por cruzar caminhos com o nosso Witcher. E Ciri (Freya Allan), uma princesa de um reino caído enquanto foge por Terras desconhecidas em busca de Geralt, a única pessoa que a pode salvar dos que a perseguem com fim a acabar com a sua linhagem.

Portanto vamos lá ao que a malta quer saber. É tão bom como o hype o está a fazer? Não, nem de perto. Mas isso é porque se anda a fazer desta série a segunda chegada do Messias, e isso é terrivelmente injusto. Na verdade, The Witcher, mesmo com alguns problemas claríssimos, revelou-se uma boa surpresa para mim.

Para começar, Henry Cavill, um ator ao qual eu atribuo tanto carisma como a um bloco de cimento, é uma aposta ganha como Geralt, porque aquilo que se pede ao ator, os olhares indiferentes e o tom arrogante, intenso e ameaçador, assenta-lhe que nem uma luva.

No entanto, a galinha dos ovos de Ouro aqui é mesmo o material original que os responsáveis pela série têm na mão. É preciso dar-lhe vida, é verdade, e isso é feito com imenso sucesso, sem nunca se esconder ou proteger de coisas que possam parecer “demasiado estúpidas” ou “demasiado geek”, e atirando com todas as línguas, designs rocambolescos, lutas sangrentas nomes esquisitos que se consegue enfiar em oito horas. Este universo é imenso, é complexo e difícil de montar, seja em termos políticos, seja em termos geográficos, e descobri-lo, episódio a episódio é, de longe, a aventura mais excitante que The Witcher oferece.

Só não era preciso terem tentado dar concorrência ao franchise de X-Men no que toca a timelines mal estruturadas. A forma como a série está montada parece uma versão um bocado mais rascas de Westworld, porque se torna mais frustrante tentar montar a linha cronológica do que era suposto devido à sua montagem pouco coerente. Neste sentido, a série acaba mais por viver dos seus momentos, em vez do seu todo, mas no geral, é um sucesso bastante razoável no que toca aos seus objetivos.

A série tenta também tocar em diferentes temas a que já estamos acostumados como “o verdadeiro monstro é o ser humano”, “a beleza não é tudo”, blablabla. Embora cada personagem tenha o seu arco moderadamente concluído para uma temporada, cheira tudo muito a televisão, aquele bafo a descartável que poderíamos ter em qualquer outra série de fantasia que não tivesse o material literário de qualidade que esta tem.

Pode-se dizer que The Witcher é um sucesso para a Netflix, isso não há dúvida, mas também se pode dizer que embora não seja a melhor coisa que Deus já trouxe à televisão, é um primeiro tento bom e sólido, num universo que, bem exploradinho, tem material para os próximos 39 anos.


Rafael Félix
Outros críticos:
 Raquel Lopes:   7
 Alexandre Costa:   7