Inscreve-te e tem vantagens!

In Bruges(2008)

Há um mês | Comédia, Drama, Crime, | 1h48min

de Martin McDonagh, com Colin Farrell, Brendan Gleeson, Ralph Fiennes e Clémence Poésy


No seguimento das notícias que indicam que o regresso de Martin McDonagh ao grande ecrã, depois de Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (2017), acompanhado novamente por Colin Farrel e Brendan Gleeson, era finalmente a desculpa ideal para trazer a vocês um dos meus filmes preferidos. Depois da curta-metragem Six Shooter em 2004, teríamos de esperar 4 anos pela primeira longa-metragem do realizador McDonagh com In Bruges.

Ray (Colin Farrell) e Ken (Brendan Gleeson) são o braço armado de Harry (Ralph Fiennes), um implacável rei do crime, e depois de Ray cometer um erro terrível num dos assassínios encomendados por Harry, são os dois remetidos para Bruges, na Bélgica para esperar instruções do patrão. Mas quando as ordens chegam, não são bem aquilo que nenhum dos dois estava à espera.

O argumento deste filme nem precisa de grandes elogios. Todos os guiões de Martin McDonagh estão sempre cheios de situações interessantes e diálogos afiados, às vezes até demais como em Seven Psycopaths (2012), que quase têm um cheiro intenso a Quentin Tarantino, embora sem o ritmo fulgurante do mestre de Pulp Fiction (1994). O que não é de todo um detrimento ao filme, bem pelo contrário. Há uma fluidez exímia, vagueamos entre os tons mais humorísticos e os mais severos sem nunca perder o Norte ou deixar um deles sobrepor-se ao outro. O realizador consegue pôr no mesmo filme temas de culpa, suicídio ou redenção e piadas brejeiras sobre gordos ou guerras mundiais entre brancos e negros, com anões à mistura e tudo mais.

Tudo isto através de duas personagens principais muito bem escritas e atuadas por dois atores no auge das suas carreiras. Brendan Gleeson oferece um nível de calma e ponderação que contrasta perfeitamente com a desenvoltura e alguma infantilidade de Colin Farrell, tornando cada uma das suas interações absolutamente magnéticos. Pontificado com personagens secundárias que embora não sejam da maior complexidade, enriquecem tanto o enredo como os próprios protagonistas

A esporádica banda sonora, que consiste maioritariamente num mero tema ao piado de Carter Burwell, um dos principais colaboradores de McDonagh e dos Irmãos Coen, é de uma beleza e simplicidade tal, que se mistura facilmente com a fotografia precisa e elegante, que usa e abusa da beleza arquitetónica da cidade de Bruges para criar uma atmosfera digna de um conto-de-fadas meio macabro, que é um pouco a ideia que o filme reforça algumas vezes.

Qualquer opinião que eu tenha de In Bruges ultrapassa a objetividade porque é realmente um dos filmes da minha vida, e o nosso amor é sempre perfeito aos nossos olhos, não é? Mas a verdade é que sempre que o vi roubou-me sempre as gargalhadas e puxou-me sempre as lágrimas que eu pedia. É uma história que oferece do mais básico ao mais mirabolante no espaço de segundos, num thriller minimalista cómico e perfeito, que faz com poucos e simples ingredientes, um gigantíssimo filme que merece muito mais atenção do que aquela que tem.


Rafael Félix
Outros críticos:
Nenhum autor votou nesta crítica.