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Nocturnal Animals(2016)

Há 2 meses | Drama, Thriller, | 1h56min

de Tom Ford, com Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael Shannon e Aaron Taylor-Johnson



Não é todos os dias que um distinto designer de moda se torna realizador de cinema. E muito menos se imagina que este seja bem-sucedido. Nocturnal Animals é o segundo filme de Tom Ford, que também se encarregou do papel de guionista e produtor.

A obra tem a estrutura peculiar de uma história dentro de uma história e segue Susan (Amy Adams) à medida que lê o livro que Edward (Jake Gyllenhaal), o seu ex-marido, lhe dedicou. Um thriller de vingança, que interpreta como uma metáfora para a sua relação ao recordar o passado repetidamente.

Foi a já referida estrutura que transita da vida de Susan para o livro de Edward que me cativou logo à partida. Apesar de serem completamente diferentes à primeira vista, a interligação dos dois planos permite vir à superfície as suas semelhanças. E pouco a pouco, a influência de um nota-se noutro, com Susan atormentada pelas suas ações do passado e o efeito dessas para o seu presente, que é diferente do que imaginara. No fim, temos mesmo de analisar o filme como a ligação das duas histórias, senão o fim pode parecer sem brilho.

Visualmente, Nocturnal Animals é uma obra-prima. Seamus McGarvey, que trabalhou em Atonement (2007) e Anna Karenina (2012), é o responsável pela cinematografia. O luxo estético da vida da protagonista é excelente no contraste que provoca com a falta de substância emocional da mesma. É sofisticada, elegante e sensual, em contraposição às imagens das cenas do livro. Aqui, os tons quentes predominam na maior parte, destacando a raiva e o sentimento de vingança que é o tema. Ainda assim, até as imagens de destruição continuam a ser bonitas à sua maneira e têm um papel importante na maneira como interpretamos o filme, bem como os ângulos sobre as quais são apresentadas.

Outro elemento que considero relevante destacar é a banda sonora. Abel Korzeniowski criou um conjunto não muito extenso de músicas, porque o silêncio também se sente e é balançado nos momentos tensos. Porém, é algo que continua a sobressair e a ter um efeito sobre o enredo ao criar um ambiente que nos englobe.

E nada disto valia de nada se o elenco não acompanhasse a qualidade, que para mim nem há dúvida que o fez. Amy Adams teve uma prestação incrível e a diferença da sua personagem entre as linhas do passado e do presente é clara sem deixar de ser uniforme, unida numa só identidade. Por outro lado, Jake Gyllenhaal assumiu dois papéis diferentes no contexto da ação, no entanto com personalidades semelhantes, o que imagino ser um desafio. Adicionalmente, Michael Shannon e Aaron Taylor-Johnson não estiveram aquém dos dois cabecilhas e foram dos que trouxeram mais drama ao plano da história literária.

Por fim, só tenho a acrescentar o que é óbvio- a minha recomendação de Nocturnal Animals. É um filme para os amantes de thrillers, sobre vingança e ódio com uma crítica à sociedade superficial que considera a sensibilidade uma fraqueza.


Margarida Nabais
Outros críticos:
 Rafael Félix:   10
 Alexandre Costa:   9