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A.I. Rising(2018)

Há um ano | Drama, Romance, Sci-Fi | 1h25min

de Lazar Bodroza, com Sebastian Cavazza, Stoya e Marusa Majer


A.I. Rising é a primeira longa-metragem do realizador sérvio Lazar Bodroza. Um filme low-budget de romance e ficção científica, que mais parece um soft-core porn que tenta ter uma narrativa para que não seja considerado um filme pornográfico. Narrativa essa que tem o intuito de tornar o filme mais profundo ao utilizar a premissa da relação entre Homem e máquina.

No ano de 2148, Milutin (Sebastian Cavazza) é chamado para uma missão espacial pela Corporação Ederlezi. Por ordens da empresa, Milutin não pode ir sozinho e é obrigado a partilhar a viagem com uma acompanhante feminina: Nimani (Stoya), uma cyborg que foi programada não só para completar a missão, mas também para satisfazer todos - TODOS - os desejos do astronauta.

A eterna questão "pode uma máquina ser humana?" é aqui colocada na mesa, quando Milutin começa a ganhar sentimentos pela robot. Mas será que Nimani tem a capacidade de sentir tal como um ser humano? Ou será apenas parte do seu software?

She was his android slave. He fell in love and turned her into a person.

Se acham que estes assuntos complexos são desenvolvidos em A.I. Rising, estão enganados: o filme limita-se apenas a cenas de sexo. A cada 10 minutos Milutin quer ter relações sexuais com aquele ser humanóide, em diferentes posições e em diferentes zonas da nave espacial. Inclusivamente viola Nimani, quando podia perfeitamente escolher um programa em que ela o fizesse concensualmente. Portanto, supostamente ele está apaixonado e quer que o robot tenha poder de escolha, mas a maneira de o mostrar é com uma violação. E é isto.

Para os mais desatentos, Stoya é uma famosa ex-atriz da indústria pornográfica, nomeada para prémios prestigiantes como Best Double Penetration Sex Scene ou até Best Group Sex Scene - está tudo explicado não é? - por isso, com devem calcular, há um grande à vontade com a nudez. O que é impressionante é que a sua performance é superior à do actor com quem contracena, um suposto actor conceituado na Sérvia.

A banda sonora é intensa, tem bons efeitos visuais e a estética do filme é interessante. Mas como devem calcular, não tem muito diálogo e o argumento é praticamente inexistente. Há uma tentativa assustadora de incluir metáforas sobre quais são as expectativas que a sociedade tem sobre as mulheres e como são as suas relações com os homens, mas é tudo para encobrir o facto de A.I. Rising ser um filme superficial ao mais alto nível.

A relação que se desenvolve entre um humano e uma A.I. (inteligência artificial), já foi inúmeras vezes representada no cinema. Todas as questões pertinentes sobre esta temática já foram feitas, portanto aquilo que nos prende depende muito da história que está a ser contada, e esta não é de todo satisfatória. Optem por ver Blade Runner (1982), Ex-Machina (2014), 2001: A Space Odyssey (1968), AI: Artificial Intelligence (2001) ou até o Her (2013), a não ser que a vossa intenção seja mesmo ver Stoya sem roupa, mas até para isso têm melhores alternativas.


Sara Ló
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