É um filme leve e engraçado que apesar das suas falhas evidentes, consegue arrancar risos e lágrimas a um público específico.

É um filme leve e engraçado que apesar das suas falhas evidentes, consegue arrancar risos e lágrimas a um público específico.

2018
Romance | 1h41min
de Mike Rohl, com Vanessa Hudgens, Sam Palladio, Nick Sagar, Alexa Adeosun e Suanne Braun


The Princess Switch, ou em português, A Princesa e a Plebeia, é um filme realizado por Mike Rohl, que já se encontra disponível na Netflix para te fazer entrar no mood natalício.

Stacy De Novo (Vanessa Hudgens), uma jovem pasteleira de Chicago viaja para Belgravia, em Londres, devido a um convite para participar num concurso de bolos de natal. Sendo uma rapariga com medo de sair da sua zona de conforto, essa oportunidade pareceu-lhe impossível. A sua atitude altera-se depois de encontrar o seu ex-namorado, que lhe partiu o coração, com a nova namorada. Stacy decide fazer a viagem e no local conhece Lady Margaret (sim, Vanessa Hudgens de novo), duquesa de Montenaro que tem uma aparência muito semelhante à sua e está noiva do príncipe Edward (Sam Palladio). A última que sempre desejou viver uma vida “normal”, tem a ideia de fazer uma troca de papéis – Stacy finge ser a duquesa e a Lady Margaret a plebeia, ou se preferires, uma rapariga “normal”.

A premissa do filme não é inovadora já que a ideia da troca de gémeas já estava presente, por exemplo, no filme The Parent Trap (1998). Contudo, foi bom relembrá-la e, desta vez, com um toque natalício que está muito vincado ao longo de todo o filme, seja ao nível dos adereços nas cenas ou a nível da própria atitude dos personagens – nunca tinha visto ninguém de coração partido a sorrir tanto como a Stacy.

No elenco, sem dúvida que se destaca Vanessa Hudgens – a Gabriella da trilogia High School Musical (2006-2008) – que, por ser carismática e talentosa, segura todo o argumento. É divertido observar a versatilidade possível na apresentação, ora faz de Stacy com sotaque americano, ora faz de duquesa com um sotaque britânico do mais falso que pode haver. Além disso, achei irónico o apelido da Stacy “De Novo”, porque a atriz que a encarna aparece de facto de novo e de novo… foi bom rever a atriz no grande ecrã.

O argumento faz uso de todo o tipo de clichés que possas imaginar, sendo uma comédia romântica e ao mesmo tempo um filme natalício. O que não falta são momentos queridos e engraçados que agradarão um dado público.

No entanto, as falhas são demasiado evidentes – o argumento é pobre e previsível. No primeiro ato entramos no filme como se já conhecêssemos as personagens e nos importássemos com elas quando, na verdade, essa relação de empatia tem de ser construída cuidadosamente. Só quando Stacy conhece a sua “cópia” é que o filme começa a ganhar interesse, ainda que dentro das suas limitações – porque criaram a personagem de um homem misterioso que aparece em várias cenas disfarçado a falar com as personagens como se tratasse de alguém que sabe o futuro? Parece que quiseram inserir magia para nos relembrar que se trata de um filme de natal, mas sinceramente era desnecessário. Já tínhamos todos os adereços a cumprirem essa função. Além disso, ser ou não ser um filme de natal é irrelevante – a história funcionaria em qualquer época do ano, mas, a meu ver, da forma como foi pensada e realizada não se safava como bom filme em nenhuma.

A realização foi preguiçosa e perde-se no seu objetivo da história. Além disso, há uma cena em que se publicita o serviço da Netflix, em específico outro filme de natal original da plataforma.

The Princess Switch é um filme leve e engraçado que apesar das suas falhas evidentes, consegue arrancar risos e lágrimas a um público específico. 


por Rafaela Teixeira