É um filme interessante e que vale a pena apoiar, tanto por ser feito em Portugal, como pela ambição das pessoas que estão atrás dele.

É um filme interessante e que vale a pena apoiar, tanto por ser feito em Portugal, como pela ambição das pessoas que estão atrás dele.

2019
Thriller
de Lucas Simões, com Ana Marta Paio e Marco Pires


Na ressaca de Black Mirror: Bandersnatch (2018), era de esperar que o filme interativo tivesse um boom. Claro que a Netflix, que tem um gosto em comum comigo, ganhar dinheiro, já confirmou mais uma série de projetos em desenvolvimento. Mas nós os tugas não deixamos ninguém nos passar à frente, e a Studios Omni chega-se à frente para promover filmes interativos de produção portuguesa. E assim aparece Casa Limpa, o filme de estreia deste projeto.

A curta segue a personagem de Júlia (Ana Marta Paio) que se encontra presa num loop em que no final, acaba sempre por morrer. Mas aqui entra o espectador e através das suas decisões, tentar mudar o destino da rapariga num dos 3 finais alternativos que Casa Limpa oferece. Para quem viu Bandersnatch, não vai estranhar, a lógica é a mesma, duas opções aparecem no ecrã e a história vai se alterando consoante as escolhas do espectador.

Se Casa Limpa é perfeito? Não, mas dificilmente o podia ser, o carcanhol não abunda nesta área aqui por terras lusitanas e o facto de o conceito ainda estar a um nível tão embrionário só dificulta ainda mais o processo. Portanto antes de mais nada, há que dar praise à Omni por arriscar nestes projetos e tentar estar um passo à frente de toda a gente. Há alguns problemas de montagem, e as atuações são um tanto tremidas, especialmente na entrega das falas. São terríveis? Não, mas vale a pena salientar.

No geral, o conceito, que é a grande bandeira destes filmes, funciona, continua a permitir repetir o filme para permitir o espectador experimentar diferentes finais e dado o número limitado de vezes em que a opção é posta, fica tudo bem atadinho num nó bonito, e que mostra competência e trabalho duro na altura de escrever um argumento tão complexo como o que a interatividade requer.

Tem um excelente trabalho de fotografia para o tamanho do projeto, só é pena que a montagem tenha feito cair um pouco este mesmo trabalho.

Mas salvo isto, é um filme interessante e que vale a pena apoiar, tanto por ser feito em Portugal, como pela ambição das pessoas que estão atrás dele mas principalmente por ter qualidades que o tornam digno de ser visto.


por Rafael Félix