É um filme incrivelmente estúpido, mas é aí que está o charme.

É um filme incrivelmente estúpido, mas é aí que está o charme.

2018
Terror, Comédia
de Fernando Alle, com Maria Leite, Joaquim Guerreiro, Pedro Barão Dias, João Vilas


Do realizador Fernando Alle, conhecido pelas suas curtas-metragens de sucesso internacional Papá Wrestling (2009) e Banana Motherfucker (2011), chegou desta vez uma longa-metragem, Mutant Blast. Fãs dos zombies de The Walking Dead (2010-) e do humor ridículo de Scary Movie (2000), este filme é para vocês.

Na verdade, os zombies não são zombies, mas experiências científicas geneticamente modificadas que correram mal e andam à solta, prontos a atacar. Maria (Maria Leite), uma soldado destemida, e TS-347 (Joaquim Guerreiro), a única experiência bem-sucedida, estão a ser perseguidos pela célula militar responsável pelo apocalipse gerado. Pelo caminho, cruzam-se com Pedro (Pedro Barão Dias), um homem com poucas ambições e com uma enorme ressaca. Juntos, irão tentar fugir para um local seguro, mas o percurso é muito mais difícil do que isso e deparam-se com uma multitude de situações.

Co-produzido pela Troma Entertainment e contando com a contribuição criativa de James Gunn, realizador de Guardians of the Galaxy (2014), tentou separar-se do comum no género. Foi neste sentido caracterizado como uma break-up letter aos filmes de zombies.

Deste modo, é de esperar que o argumento seja do mais louco que existe e por isso deparamo-nos com cenas tão ridículas e inesperadas que é impossível não rir. Só para dar contexto, uma das personagens mais significativas e, honestamente, a minha favorita é uma lagosta gigante francesa chamada Jean-Pierre (João Vilas).

O início é um bocado fraco e instável, porque no fundo a narrativa não tem grande desenvolvimento ou fundamento. Mas à medida que avança torna-se mais interessante, até porque se concentra noutros aspetos da história mais aliciante do que simplesmente zombies. É também o tempo necessário para o espetador se habituar ao sangue e gore geral tão presente ao longo do filme, sendo talvez desaconselhado aos mais sensíveis.

Apesar de ser tão fulcral, é claro que os efeitos especiais são isso mesmo, falsos. No entanto, há que ter em conta o low-budget, visto que se virmos por essa perspetiva até se saíram bastante bem no geral dos aspetos técnicos. Isto ao ignorarmos a edição, pois esta por sua vez passa por amadora. Em particular no que toca às transições entre cenas, por vezes tão dolorosamente semelhantes às que usamos para passar diapositivos no PowerPoint.

Adicionalmente, foi pelo mesmo motivo que tantos trabalhos no processo de criação foram feitos pelas mesmas pessoas e, consequentemente os mesmos atores fizeram papéis diferentes. Porém, isto não prejudicou em nada a longa-metragem, até porque de qualquer das maneiras as prestações não são muito boas e nenhuma ficou comigo ou surpreendeu.

Em suma, sim, é um filme incrivelmente estúpido, mas é aí que está o charme. Não é o tipo de filme que põe uma pessoa a pensar no significado da vida e outras questões existenciais. Há falhas, demasiados palavrões e a banda sonora mais dramática de sempre. Contudo, Mutant Blast é tempo bem passado, puro entretenimento, diferente e muito divertido de se ver, especialmente com amigos.


por Margarida Nabais