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Spenser Confidential(2020)

Há 25 dias | Crime, Drama, Comédia, | 1h50min

de Peter Berg, com Mark Wahlberg, Winston Duke, Alan Arkin, Iliza Shlesinger, Michael Gaston, Bokeem Woodbine e Post Malone


Mark Wahlberg é um nome sonante nos filmes que chegam aos cinemas e é um ator que simplesmente está sempre nos nossos ecrãs. Desde que iniciou a sua carreira enquanto ator no grande ecrã em 1993, em Renaissance Man, Wahlberg apenas não esteve presente num filme em 2011 e em 2019. A esta altura, já se pode dizer que é garantido que teremos Wahlberg sempre nos ecrãs.

Fazendo parte da equipa de produção, Wahlberg entrega a realização a Peter Berg, com quem anteriormente já trabalhou em Lone Survivor (2013), Deepwater Horizon (2016) ou Mile 22 (2018). Não tendo visto Lone Survivor, baseio-me na minha experiência com Deepwater Horizon e Mille 22 para dizer que em Spenser Confidential, Berg apresenta muito mais noções e personalidade, sobretudo em relação ao épico de ação de 2018. Aqui, Berg é de facto um fator positivo e há que reconhecê-lo.

A história, vagamente baseada no livro Wonderland de Ace Atkins, apresenta-nos Spenser (Mark Wahlberg), um polícia de Boston que descobre que o seu superior, Boylan (Michael Gaston), poderá estar a encobrir um assassinato e ainda a mal tratar a mulher. Spenser decide tomar medidas pelas suas próprias mãos, espancando Boylan, o que o condena a 5 anos de prisão, deixando para trás a sua namorada, Cissy (Iliza Shlesinger), bem como a sua cadela Pearl e o seu mentor Henry (Alan Arkin). Após cumprir a sua pena, Spenser decide ser um novo homem, mudando-se para o Arizona, e não se colocando nos assuntos que não lhe dizem respeito. O problema? Boylan é assassinado, outro agente aparece morto e tudo é encoberto. O sentido de justiça de Spenser fala mais forte e o, agora, ex-polícia faz parceria com o seu colega de quarto Hawk (Winston Duke) para voltar a fazer justiça pelas suas mãos.

O bom de Spenser Confidential é que é um filme de ação com bastantes momentos cómicos e que é facilmente assistido. O novo filme da Netflix compromete-se com a audiência de modo a entreter enquanto fala da importância de fazermos o que achamos ser correto e, questões de alguma lógica à parte, cumpre a sua palavra.

O argumento não é nada de extraordinário e tem muitos momentos que nos fazem questionar toda a lógica do ser humano, seja nas prioridades ou nas decisões que são tomadas, mas não se pode ser muito exigente aqui. O objetivo do filme é entreter e passar uma breve mensagem, não é usar metáforas ou submeter-se a inúmeras interpretações do que os nossos olhos veem.

O elenco cumpre o seu papel. Wahlberg está mais que habituado a este tipo de papéis e fá-lo na perfeição, sabendo muito bem o que lhe é exigido. Duke tem um papel pouco aproveitado, ainda que aceitável, mas teria sido agradável explorar as suas capacidades de modo a que nos voltasse a mostrar do que é capaz como é exemplo em Us (2019). Em cima disso, Wahlberg tem a ótima ideia de entregar o papel da namorada louca e engraçada a, precisamente, uma comediante. Iliza Shlesinger é, na minha humilde opinião, uma ótima comediante e em Spenser Confidential Shlesinger tem momentos no mínimo interessantes no que toca a acting.

Com efeitos visuais quase sempre acima do aceitável, um pace bastante rítmico e algumas boas pitadas de humor, Spenser Confidential cumpre o seu papel. Não marca, não revoluciona mas também não tenta. É, como já disse, apenas um filme de ação que tenta ser sobre fazer o que está certo e, aqui ou ali, é precisamente isso.


Pedro Horta
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   6