É um filme agradável que conta uma história de amor encantadora que à partida parece ser impossível.

É um filme agradável que conta uma história de amor encantadora que à partida parece ser impossível.

2004
Comédia, Drama, Romance | 1h39min
de Peter Segal, com Adam Sandler, Drew Barrymore, Rob Schneider, Sean Astin e Lusia Strus


São Valentim, ou, o famoso Dia Dos Namorados aproxima-se, e o habitual é dos casais optarem por comédias românticas. Este género não é o que mais me atrai da Sétima Arte, ainda assim, há filmes com os quais me consigo divertir e tirar alguma mensagem pertinente para a vida. 50 First Dates, realizado por Peter Segal e com argumento de George Wing, é um desses raros exemplos.

Henry Roth (Adam Sandler) é um biólogo marinho que não é dado a relacionamentos sérios. Geralmente tem casos com raparigas que vão para o Havaí de férias e depois desaparece da vida delas. No entanto, este aspeto da sua vida muda quando conhece Lucy (Drew Barrymore), uma jovem que desperta o seu coração e faz com que ele se apaixone. No entanto, Lucy tem uma particularidade que Henry desconhece – sofreu um acidente grave de carro que fez com que ela todas as noites se esqueça das suas memórias de curto prazo. Isto significa que para Lucy todos os dias são a repetição de um dia que já foi, por isso não importa se conhece alguém novo, pois no dia seguinte é como se não tivesse conhecido. Será esta uma relação com futuro? Se ainda não viste o filme, vê e descobre.

A história não é inovadora, pois o tema da repetição do tempo já surgiu em vários filmes, como por exemplo, em Groundhog Day (1993). No entanto, consegue ser uma narrativa agradável que desperta curiosidade. Isto deve-se sobretudo a Sandler e Barrymore que têm uma ótima química em cena, enriquecendo o filme.

Acompanhar Henry neste desafio torna-se emocionante à medida que vai procurando formas criativas para fazer com que Lucy se volte a apaixonar todos os dias por ele. Torcemos realmente pela união destas duas personagens e damos algumas gargalhadas pelo meio, especialmente devido ao melhor amigo de Henry, Ula (Rob Schneider) que é no mínimo uma pessoa peculiar. Além da comédia, é agradável ver que também o emocional é valorizado.

Tecnicamente não apresenta muitos problemas, a paleta de cores condiz com os planos em Havaí, assim como o guarda-roupa das personagens. A banda sonora é satisfatória, mas não possui grande destaque. A não ser que falemos da música “Forgetful Lucy” que Henry inventa para a amada. Essa sim é a canção do filme que marca uma das cenas mais fofas do casal. Aconselho-te a veres no YouTube.

Falta profundidade na história e nos arcos das próprias personagens. A história tem um pequeno plot twist, mas permanece um enredo simples e previsível, o que para alguns espectadores não será incómodo, porque já vão com as expectativas certas. No entanto, uma das grandes falhas do filme não deixa de estar associada a esta questão – tem uma premissa simples, com um desfecho previsível.

Apesar de tudo, é um filme agradável que conta uma história de amor encantadora que à partida parece ser impossível. 50 First Dates é sem dúvida uma das melhores comédias da carreira de Adam Sandler, com o bónus de veicular uma mensagem incrível que fica na memória de quem assiste: apesar das dificuldades e dos obstáculos, quando se ama, há solução e a conquista deve ser diária para que o “apaixonar” surja sempre como pela primeira vez.


por Rafaela Teixeira