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Motherless Brooklyn(2019)

Há um mês | Crime, Drama, Mistério, | 2h24min

de Edward Norton, com Edward Norton, Gugu Mbatha-Raw, Alec Baldwin, Willem Dafoe e Bruce Willis


O film noir americano teve o seu auge entre os anos 40' e os anos 50', sendo atualmente um género pouco em voga. Basicamente evoluiu ao ponto de ter passado de moda. Além de ser difícil inovar os enredos, que são conhecidos por terem características e arquétipos definidos, é também necessário investir numa série de frentes para replicar o estado de espírito inerente ao género. Algo que Motherless Brooklyn não tem dificuldade em fazer. É dotado de uma produção precisa e orgulhosa, ainda que careça de uma narrativa que corresponda aos patamares da sua estética.

Escrito, realizado, produzido e protagonizado por Edward Norton, o filme apresenta como personagem principal Lionel Essrog (Norton), o braço direito de um detetive privado chamado Frank Minna (Bruce Willis). Lionel sofre da síndrome de Tourette, um transtorno neurológico que lhe provoca tiques faciais, assim como incapacidade em controlar momentaneamente o que diz. Sito nos anos 50' em Nova Iorque, um tempo em que a expansão das infraestruturas acontecia à custa dos bairros das minorias, o enredo leva Frank a desconfiar de alguns dos políticos e administrativos mais proeminentes da cidade, incluindo o misterioso Moses Randolph (Alec Baldwin). Após a morte precoce de Frank, Lionel procede com a investigação do seu patrão e amigo em busca de respostas.

Estando envolvido de uma ponta à outra de Motherless Brooklyn, este é o bebé cinematográfico de Edward Norton, que volta novamente a mostrar o quão hábil é à frente da câmara ao desempenhar um papel que qualquer ator gostaria. É uma personagem tão capaz quão vulnerável e contribui para que o filme exiba algum charme e comédia. Não existem grandes queixas no departamento da atuação, desde Willem Dafoe na pele de um sabichão enigmático, até Alec Baldwin que representa uma figura à la Donald Trump no seu discurso megalómano e racista.

O guarda-roupa faz jus à época e a direção de arte é apropriada. A complementar a atmosfera está a composição musical de Daniel Pemberton, que faz uso do piano e do saxofone para acrescentar textura auditiva às melhores cenas. Na verdade, é difícil apontar o dedo ao filme em termos visuais, mas o problema não reside na imagem per si, mas sim na falta de conexão entre a imagem e a história. Isto é, o filme é excessivamente falado e pouco mostrado, tornando várias sequências numa narrativa de 2 horas e 24 minutos bastante enfadonhas.

Ademais, esta adaptação do livro de Jonathan Lethem, com o mesmo nome, necessita urgentemente de uma componente humana para ancorar a história. As tentativas existem - numa sequência de dança e noutra em que o protagonista desabafa - mas sem grande efeito. Motherless Brooklyn é um esforço admirável que em última instância não faz mais do que recordar o quão bons eram os film noirs do século passado.


Bernardo Freire
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