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Joker(2019)

Há um mês | Crime, Drama, Thriller, | 2h1min

de Todd Phillips, com Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz, Frances Conroy e Brett Cullen



Após Jack Nicholson no Batman (1989) de Tim Burton, Heath Ledger em The Dark Knight (2008) de Christopher Nolan e da espécie de amostra de Jared Leto em Suicide Squad (2016) é a vez de Joaquin Phoenix trazer-nos uma nova interpretação de um dos antagonistas mais conhecidos de todos os tempos: o Joker. Bem, vou entrar a pés juntos. Após o filme de Todd Phillips ter ganho o Leão de Ouro/Golden Lion no recente Festival de Veneza e dos múltiplos elogios da empresa, os meus pequenos pulinhos de impaciência surgiram com alguma loucura.

O que nos conta o filme?

Nos anos 80, numa cidade de Gotham City mais suja, corrupta, podre e perdida como nunca, Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) é um comediante sem talento que deseja fazer stand-up, tal como o seu ídolo Murray Franklin (Robert De Niro), tendo o objetivo de alegrar mais a vida das pessoas neste período sombrio. Desprezado, pobre, solitário (vive com a sua mãe enferma – Frances Conroy) e doente mental, veste-se de palhaço e faz publicidade com um cartaz nas ruas para tentar ganhar a sua vida. Todos os dias são piores que os anteriores. Constantemente agredido fisicamente e psicologicamente, a loucura começa a consumi-lo lentamente. É só uma questão de tempo para o Joker surgir.

Todd Phillips, ou neste caso, Martin “Todd Phillips” Scorsese surpreende em filmar Gotham City como uma personagem. Somos atraídos dentro de uma cidade suja, cuja criminalidade e crise económica sejam uma triste realidade: dezenas de sacos de lixo nas ruas, uma contaminação de ratos, pessoas pouco atraentes, um metro nojento e assustador e ainda apartamentos de classes sociais baixas. Não é difícil ver as semelhanças com o clássico Taxi Driver (1976) no tratamento deste universo. A fotografia de Lawrence Sher contém uma textura suja e áspera, sendo deslumbrante e magnífica. Toda a ambiência é acompanhada por uma banda sonora pesadíssima que se torna cada vez mais omnipresente e perturbadora consoante a decadência na loucura do protagonista.

Joker consegue ser suficientemente impressionante para que cada espetador possa tirar as suas próprias interpretações. Ainda nos traz uns toques ao universo do Batman, não esquecendo de onde vem. Além de ser fascinante, segue a ode de uma personagem com graves dificuldades sociais e psicológicas, que procura constantemente transmitir a sua empatia ao público. Mesmo decorrendo nos anos 80, o argumento retrata a nossa sociedade atual em todos os pontos possíveis. O filme confronta a política atual de forma direta e crua.

Joaquin Phoenix conseguiu dar vida a um Joker inédito no grande ecrã. Por incrível que pareça, é o Joker mais parecido à visão de Jerry RobinsonBill Finger e Bob Kane: um homem que encarna a vingança, a loucura psicológica e niilista. Um condutor da imoralidade e das controvérsias no mundo. A performance de Phoenix é magistral. O ator respira visceralmente a depressão e a loucura que o assolam. Transborda de escuridão profunda. O seu sofrimento é tanto psicológico, como físico, cuja magreza extrema o faça ter movimentos parecidos a um saca-rolhas. Todas as sequências em que ele dança são perturbadoras e dignas de ganhar o prémio nos próximos Oscars. Quando o virem a chorar e rir na mesma cena, irão partilhar a minha opinião.

Querem um filme dark e psicológico? Serão servidos. Joker é muito mais do que isso. É um drama que abraça a loucura e a tragédia, tornando-as maravilhosas. É uma Obra de Arte que marcará presença no futuro. Pode ser que abra caminhos para novos filmes intimistas baseados em comic books. Um homem abandonado de todos que somente sonhava em ser um artista de renome que se tornará simbolicamente o antagonista mais conhecido de todos os tempos. O Joker.


Alexandre Costa
Outros críticos:
 Bernardo Freire:   9
 Rafael Félix:   9
 Rafaela Boita:   9
 Rafaela Teixeira:   9
 Pedro Quintão:   10
 Pedro Horta:   10
 Raquel Lopes:   10