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Triple Frontier(2019)

Há 6 meses | Ação, Aventura, Crime | 2h6min

de J.C Chandor, com Ben Affleck, Oscar Isaac, Charlie Hunnam, Pedro Pascal e Garrett Hedlund


Ver um Netflix Original tornou-se uma versão menos violenta da roleta russa. Pode-nos sair filmes fantásticos de todo o tipo de géneros, desde a ode cinemática que é Roma (2018) até à estranheza hipnotizante de Annihilation (2018). Mas no reverso da medalha podemos apanhar um Cloverfield Paradox (2018) ou algo nas mesmas linhas de desgraça. E com um elenco estranhamente recheado para um filme de acção e com um realizador com filmes bastante aceitáveis no currículo, este até pode parecer um resultado favorável na roleta. Vamos ver o que nos saiu.

Pope (Oscar Isaac) planeia um assalto a uma “fortaleza” detida por um barão do crime, tendo em vista milhões e milhões de dólares que podiam mudar a vida dele, e dos antigos colegas que convoca para o ajudarem. Todos eles ex-militares e todos eles algo ressentidos pela forma como o seu país lhes retribuiu o seu sacrifício, estes planeiam utilizar as suas habilidades de guerra uma última vez e ficarem com uma reforma choruda.

Triple Frontier é estranhamente unidimensional. No grupo das cinco personagens, apenas as protagonizadas por Isaac e Affleck têm algum tipo de crescimento ou progressão, enquanto Pascal, Hunnam e Hedlund parecem todos iguais e sem qualquer tipo de personalidade.

E esta falta de  personalidade também se transfere um pouco para a história, que é simples e direta ao assunto, o que por si só não tem grande problema, mas são raras as vezes em que consegue manter alguma tensão e é por demais impossível ter empatia por um grupo de personagens que basicamente andou a matar pessoas, e pelo meio inocentes, ao longo de três países, por dinheiro. 

Mas a César o que é de César, e nem tudo é assim-assim. Todas as cenas de acção são bastante bem montadas, sem quick cuts ou shaky-cam, mas de câmara suave e em espaços bem abertos onde se consegue realmente perceber o que se está a passar, e a ver todo o historial de filmes de ação que temos tido nos últimos anos, só isto já é uma vitoria. Até a fotografia no geral é mais que razoável, fazendo bom uso das suas localizações e deixando as paisagens fazer o seu trabalho grande parte do tempo. 

Também é decentemente atuado pelo elenco todo, salvo Affleck, que mais uma vez mostra um completo desinteresse em tudo o que se passa à sua volta, essa sua postura foi bastante bem utilizada em Gone Girl (2014) por exemplo, mas aqui, o casting não foi o melhor.

Se voltarmos à roleta russa, este é o equivalente à bala sair diretamente para a cabeça, mas afinal era só um revólver de brincar. Faz barulho, mas é só isso. Não espanta e não acrescenta, mas também não aleija, um daqueles filmes que escolhemos ao calhas na Netflix e serve para passar o tempo, aquele tempo que normalmente devíamos estar a usar para estudar ou assim. Porque todos sabemos que a Netflix é a melhor amiga do procrastinador.


Rafael Félix
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