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The Death & Life of John F. Donovan(2019)

Há 2 meses | Drama, | 2h7min

de Xavier Dolan, com Kit Harington, Jacob Tremblay, Natalie Portman, Emily Hampshire, Thandie Newton, Ben Schnetzer, Susan Sarandon e Michael Gambon


Xavier Dolan é um dos realizadores mais precoces da atualidade. No seu currículo estão 8 longas-metragens com uma personalidade muito independente. Imaginem, 8 filmes, tendo apenas 30 anos! Se nunca viram nenhuma das suas obras, aconselho fortemente Mommy (2014) vencedor do Prix du Jury em 2014 no Festival de Cannes.

The Death and Life of John F. Donovan é o seu primeiro em inglês. Com um elenco de luxo desde Kit Harintgon, Jacob Trembley, Susan Sarandon, Thandie Newton ou ainda Natalie Portman, esta longa-metragem tinha tudo para ser especial. Mas o filme foi um caos de produção. Muitos diziam que era um projeto demasiado ambicioso. Falava-se de um filme de 4h. Imaginem, a Jessica Chastain tinha um papel fundamental na obra e foi completamente cortada na edição final. Estas eram as informações que eu sabia antes de me jogar perante a longa-metragem.

O que nos conta o filme?

Rupert Turner (Jacob Trembley) não é uma criança como as outras. Solitário e constantemente triste, só consegue ter lufadas de felicidade ao contemplar a sua série favorita, protagonizada pelo seu ator favorito: John F. Donovan (Kit Harington). Rupert é tão fã do seu herói, que deseja ser ator como ele. Um dia decide escrever-lhe uma carta, e inesperadamente obtém uma resposta. Durante anos trocam misteriosas cartas às escondidas da sua mãe (Natalie Portman). Dez anos após a morte súbita da tal estrela de televisão americana John F. Donovan, Rupert (mesma personagem, mas adulto – Ben Schnetzer) narra a sua vida e o impacto que essas cartas tiveram na vida dos dois. Entre mistérios e segredos, há muita informação que foi escondida sobre a vida do famoso ator.

O argumento nasceu através um assunto íntimo na vida do cineasta. Pois, quando era criança, Dolan escreveu várias cartas para Leonardo DiCaprio, sem obter qualquer resposta. Mais acessível que os seus antecedentes trabalhos, The Death and Life of John F. Donovan transborda de sinceridade e intensidade. Para quem está familiarizado com o trabalho do jovem realizador canadense, todos os seus temas fundamentais estão presentes: a relação mãe/filho, a homossexualidade e a profunda solidão.

Trágico, intenso e comovente, Dolan expõe todo o lado negativo do que é ser famoso. Mostra-nos o quão difícil é controlar essa vida e de quão não se pode ter um livre-arbítrio a 100%. Tudo o que o John F. Donovan faz é controlado pelas produtoras. A realização é forte. Dolan adora filmar de perto as expressões dos seus atores. A fotografia tem um tom muito frio e triste, como se estivéssemos literalmente dentro da depressão dos dois protagonistas. A banda sonora também é boa.

A dupla principal é interessante. Pois, nunca aparecem juntos em tela, mas sentimos essa tal conexão através as cartas.

As performances do elenco são espetaculares. Kit Harington (que pelos vistos adora ter o nome de John – Jon Snow em Game of Thrones – 2010- 2019) foi o ator ideal para interpretar John F. Donovan. Triste, depressivo, constantemente fora deste mundo e possuidor de grandes complexos com “o seu verdadeiro eu”, o ator conseguiu encarar perfeitamente um homem que tem medo de se afirmar e confrontar os seus problemas, preferindo cair na solidão. Jacob Tremblay (Room – 2015); Wonder – (2017) demonstra novamente todo o seu incrível talento de ator. O miúdo tem 12 anos e tem uma palete de emoções extraordinária. Natalie Portman não brilha como mãe do Rupert, mas está correta. Por sua vez, Susan Sarandon está fabulosa como mãe do John.

O filme foi extremamente mal recebido pelas críticas americanas. Diria mesmo que foi odiado tendo em conta as suas notas (talvez por criticar muita coisa do show business nos States). Estava à espera do pior e fui agradavelmente embarcado nesta aventura. Não é perfeito. Tem falhas e buracos na narrativa, mas Dolan conseguiu transmitir a sua mensagem. Identifiquei-me com os dois protagonistas. Adoro todos os temas que envolvam a solidão. Não é um filme que aconselha ao público em geral. Diria que é uma obra destinado a um público-alvo.


Alexandre Costa
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