The Toybox, sem nenhuma carta na manga, mais vale deixar estacionada a autocaravana.

The Toybox, sem nenhuma carta na manga, mais vale deixar estacionada a autocaravana.

2018
Terror, Thriller
de Tom Nagel, com Denise Richards, Mischa Barton, Jeff Denton e Brian Nagel


Pode argumentar-se que The Toybox é uma espécie de slasher. Não temos nenhum Michael Myiers nem nenhum Jason, mas sim um suspeito muito menos declarado: uma velha autocaravana, com um passado bastante conturbado. Tem uma vida própria, uma vontade maligna por assim dizer. Conceito que remota ao filme Christine (1983), mas que o realizador Tom Nagel e o argumentista Jeff Denton desperdiçam redondamente. É um filme inábil em quase todos os aspetos, sendo a falta de tonalidade o maior dos seus pecados. Mas já lá chegamos.

A história diz respeito a uma família que, na tentativa de se voltar a reconectar, decide fazer uma viagem deserto fora numa autocaravana. Steve (Jeff Denton) é o marido de Jennifer (Denise Richards), o pai de Olivia (Malika Michelle), o irmão de Jay (Brian Nagel) e, por fim, filho de Charles (Greg Violand). Por entre a secura dos campos dourados encontram Samantha (Mischa Barton) e o seu irmão Mark (Matt Mercer), que aceitam a boleia da família devido à avaria do seu carro. Coisa que não tarda a acontecer à autocaravana, mas desta vez a anomalia não é claramente de origem mecânica.

Sabemos desde o início do que se trata. A caravana está possuída pelo espírito de um assassino em série que se encontra morto há décadas, mas que continua a fazer o seu trabalho sangrento. A premissa é tão ridícula quanto soa e podia perfeitamente ser a base de uma hora e meia de diversão pelos terrenos férteis do terror imaginário. Por azar, o filme resolve lidar com a situação da forma mais séria e aborrecida possível, introduzindo elementos melodramáticos ao longo do enredo como se as personagens e a estrutura da narrativa tivessem alicerces para os suster.

O resultado é penosamente aborrecido. A localização não tem que se lhe diga, as personagens são desagradáveis e acima de tudo, para um filme de terror tão sóbrio na sua matéria, mal consegue acelerar o ritmo cardíaco. As próprias mortes além de previsíveis sofrem de uma tremenda falta de criatividade. Por muito bons que os efeitos práticos e os efeitos especiais estejam, não se sente a adrenalina sádica que este subgénero tanto procura saciar.

Num dos poucos aspetos mais positivos, a montagem, também efetuada por Nagel, procura imprimir algum suspense e, em certos momentos, é até capaz de criar antecipação. São cenas muito específicas, mas que chamam particularmente a atenção à medida que o psicopata vai fazendo os seus jogos psicológicos perversos. De preferência, a uma pessoa de cada vez. Os filmes de terror nunca gostaram muito de pôr as personagens em transe coletivo.

Mas estando ou não em transe, foram poucas as interpretações convincentes. Mesmo a experiente Denise Richards ficou na sombra de Mischa Barton, que consegue uma performance mais moderada e contextualizada, num filme que misturou demasiadas ideias e não as soube executar de forma coerente.

Por muito cliché, pobre e genérico que tenha sido o primeiro filme de Tom Nagel, ClownTown (2016), ao menos conseguiu proporcionar alguma diversão. Foi consistente na sua mediocridade. Quanto a The Toybox, sem nenhuma carta na manga, mais vale deixar estacionada a autocaravana.


por Bernardo Freire