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The Lion King(1994)

Há 6 meses | Animação, Aventura, Drama | 1h29min

de Roger Allers, Rob Minkoff, com Matthew Broderick, Jeremy Irons, James Earl Jones, Rowan Atkinson, Nathan Lane e Ernie Sabella


Todos nós gostamos de algo em particular. De algo mais que tudo o resto. Dentro de um grupo, há sempre o que mais prezamos, o que mais admiramos. No cinema, é irremediavelmente assim também, seja com atores, realizadores, diretores de fotografia ou, claro, filmes, em si. E, hoje, é sobre isso que escrevo: sobre O filme. Sobre The Lion King.

É – diria eu – impossível encontrar alguém que nunca tenha visto The Lion King. Uma obra intemporal, clássica e tão marcante como esta é reconhecida por todos. Todos reconhecem o nome Simba e o associam imediatamente ao Rei por direito que teve que regressar para recuperar as Pedras do Reino.

Ainda assim, por uma questão de descargo de consciência: The Lion King conta-nos a história do jovem Simba (VO: Jonathan Taylor Thomas / VP: Tiago Caetano), uma pequena cria de leão que não consegue esperar para ser Rei, mas que tem o seu tio Scar (VO: Jeremy Irons / VP: Rogério Samora) que também deseja tal sucessão a Mufasa (VO: James Earl Jones / VP: António Marques) e que não vai parar até o conseguir.

Podia, naturalmente, entrar por mais pormenores narrativos mas acho que não se justifica. Todos saberão como Scar acaba assumindo o trono e como, consequentemente, Simba conhece Timon (VO: Nathan Lane / VP: André Maia) e Pumbaa (VO: Ernie Sabella / VP: João Raposo), até se tornar um leão adulto (VO: Matthew Broderick / VP: Carlos Freixo) e reencontrar o amor da sua vida, Nala (VO: Moira Kelly / VP: Cláudia Cadima). Aliás, é quase tentador abrir o jogo em The Lion King porque, a esta altura, pouco será considerado spoiler.

The Lion King tem as personagens perfeitas, para a história perfeita. São carismáticas, memoráveis e fáceis de nos identificarmos com. Mufasa é genialmente bem construído, de tal forma que surge em apenas 35 minutos da – eventualmente – trilogia e, ainda assim, consegue ser uma das personagens mais memoráveis alguma vez criadas pela Disney. Ao seu lado, e mais tarde de Simba, o mensageiro Zazu (VO: Rowan Atkinson / VP: Fernando Luís), como um cómico rezingão. E, claro, Rafiki (VO: Robert Guillaume / VP: Fernando Luís), a voz da razão, a esperança, o ancião da vida.

Mas tiremos um momento para falar daquela que é, para mim, a melhor personagem de toda a trilogia e que, mesmo 25 anos depois da estreia da obra, continua a ser uma das, se não a, minha personagem de eleição: Scar. Apesar de vilão, maquiavélico e totalmente desprovido de empatia para com quem quer que seja, Scar é um antagonista movido por razões que não deixam de ser compreensíveis. É um felino, um leão, um líder que jamais terá direito a ser chamado de Rei porque a vida escolheu que fosse ele o mais novo. Vivendo anos sob essa sombra, acaba por ver um novo leão na família a que todos chamam de ‘futuro Rei’. Ainda que seu sobrinho, Scar vê em Simba a única fraqueza do Rei Mufasa e como pouco mais terá a perder, porque não o usar para tentar ser o que nunca estará destinado a ser?

A banda sonora composta pelo extraordinário Hans Zimmer eleva esta obra ainda mais além, com a parceria do incontornável Elton John – que recentemente viu a sua vida chegar ao cinema, sob a forma de Rocketman (2019) – e de Tim Rice na composição das tremendas melodias e canções que se eternizaram. Melodica e visualmente, The Lion King é muito mais do que um filme, é muito mais do que uma obra.

A mensagem de The Lion King é sublime. Aborda a amizade, a família, as responsabilidades e que embora o passado doa, jamais podemos não seguir em frente e ignorar tudo aquilo que temos que fazer. A obra ensina-nos a não esquecer quem somos, a não esquecer quem nos ensinou e, sobretudo, a não ignorar o nosso destino. Apesar de ter uma história dura e um pouco pesada para a animação que é, acabamos a obra com a sensação de alívio, de vitória, capazes de enfrentar o mundo. The Lion King é uma obra-prima em todo o seu esplendor e a prova disso são os 25 anos que se passaram desde a sua estreia e toda a gente ainda reconhecer a história que a obra acarreta.

Prefiro e vou falar de The Lion King como peça isolada, porque independentemente da qualidade da restante trilogia ou do futuro live-action, é um clássico que não pode ser ignorado e é tão, mas tão genial, tão grande, que nada que tenha vindo a seguir consegue reduzir a sua qualidade. The Lion King não é só mais um filme, não é só mais uma história: The Lion King é O filme, A história.


Pedro Horta
Outros críticos:
 Rafaela Boita:   10
 Rafael Félix:   10
 Filipe Lourenço:   10
 Alexandre Costa:   9
 Raquel Lopes:   10
 Pedro Quintão:   9
 Margarida Nabais:   10