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The King(2019)

Há 28 dias | Biografia, Drama, Histórico, | 2h20min

de David Michôd, com Timothée Chalamet, Joel Edgerton, Sean Harris, Lily-Rose Depp e Robert Pattinson

Das inúmeras adaptações cinematográficas das obras de Shakespeare, The King é a mais recente. David Michôd e Joel Edgerton transformam, assim, a tetralogia de peças conhecidas como “Henriad” num filme de drama histórico distribuído pela Netflix.

A personagem principal é Hal (Timothée Chalamet), um príncipe rebelde e relutante à maneira tradicional de vida de um herdeiro ao trono inglês. Porém, quando o seu pai e irmão morrem, este não tem escolha senão ser coroado rei e enfrentar a vida que tentou escapar. Enquanto tenta trazer a Inglaterra uma nova era de paz, tensões com França forçam Hal a tomar decisões difíceis que vão definir não só o tipo de líder que é, como também o futuro do seu país.

Política, caos e guerra são os três pilares da história de The King, mas no fundo acaba mais por explorar o lugar da decência e valores pessoais num contexto tão complexo como o de governar. Eventualmente, face as dificuldade, o protagonista começa a duvidar a sua perspetiva inicial e aqui surge uma nova dimensão de conflito.

Enquanto estas são boas características do filme, este acaba por, em grande parte, sofrer ao levar-se demasiado a sério. Com quase 2 horas e meia, parece bastante longo pelo ritmo que toma, especialmente durante a primeira metade até aos acontecimentos principais. Isto, por ser tão recorrente, retira ligeiramente a margem emocional de algumas cenas, faltando a energia e humor do estilo shakespeariano no todo.

No entanto, estes não são aspetos completamente inexistentes. A personagem de Joel Edgerton, Falstaff, oferece uns bons momentos e, noutro nível ainda maior, Robert Pattinson como vilão principal destaca-se numa interpretação que, não de uma forma má, roça no ridículo. Contudo, contrasta tanto com o tom da obra que se sente uma falta de balanço. É neste sentido que teria sido interessante um maior investimento na dinâmica entre as personagens de Pattinson e Chalamet. Este último, por outro lado, também fez um bom trabalho no papel de protagonista, com uma intensidade silenciosa que vai evoluindo ao longo da narrativa.

Assim, é seguro dizer que o elenco é dos aspetos mais fortes de The King, aliado com tantos outros no campo técnico. O realizador David Michôd revela um olho para as tensões do debate e a ação da guerra e o cinematógrafo Adam Arkapaw constrói uma beleza que faz dos nossos pequenos ecrãs salas de cinema. Os tons escuros e sombras intensas do combate e da hostilidade, bem como o foco no som e banda sonora fazem do conjunto uma grandiosidade que não passa despercebida.

Portanto, sim, The King está longe de ser perfeito, mas continua a merecer ser visto. Pelo fim, há a tão precisa energia feminina e uma mensagem importante sobre as instituições corruptas do poder que pode ser transferida para a atualidade e permanece no pensamento. A minha interpretação acaba por ser um reflexo das expetativas que tinha, todavia, o filme ainda tem valor que considero uma vitória para a Netflix.


Margarida Nabais
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   7