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The Handmaid's Tale - 1ª Temporada(2017)

Há 2 anos | Drama, Sci-Fi, |

de Bruce Miller, com Elisabeth Moss, Yvonne Strahovski, Max Minghella, Joseph Fiennes, Alexis Bledel, Ann Dowd e Samira Willey


The Handmaid’s Tale é uma série criada por Bruce Miller que estreou na Hulu, plataforma de streaming, e é baseada no livro homónimo de Margaret Atwood (1985). Esta não é a primeira adaptação da história, que já conta com um filme realizado por Volker Schlöndorff de 1990.

Num futuro distópico - que parece não muito distante - onde a taxa de natalidade desceu a pique pois a maior parte das mulheres são inférteis, um regime extremista derruba o governo e sobe ao poder. Este governo autoritário, opressivo e baseado no patriarquismo, decide criar uma sociedade com regras extremas de forma a solucionarem os problemas deste novo mundo. Os homens detêm todo o poder e autoridade, dominam a política e o privilégio social e usam medidas especificamente contra o sexo oposto. As mulheres são excluídas da tomada de decisões, perdem os seus trabalhos, não podem ter educação nem contas bancárias, dinheiro ou qualquer tipo de propriedade, e pior que tudo, perdem a sua liberdade de expressão e os seus direitos.

Todas as mulheres férteis são raptadas e “treinadas” para serem escravas. Barrigas de aluguer para os inférteis que pertencem às famílias de elite. Estas mulheres, chamadas de handmaids, são um recurso valioso para aqueles que estão no poder e têm um único propósito: procriar.

É no meio desta premissa absolutamente assustadora que conhecemos a nossa protagonista June/Offred (Elizabeth Moss). Acompanhamo-la ao longo de dez episódios nesta sua nova e vergonhosa vida como handmaid. Cada uma destas mulheres ganha um novo nome, de acordo com a família à qual são entregues, identificando-as como propriedade do seu “comandante”, como Offred (de Fred), Ofglen (de Glen) e Ofdaniel (de Daniel).

De forma a exercer um maior controlo e manter a ordem social, o regime decide também definir a hierarquia através de uniformes que indicam o papel de determinada pessoa na sociedade. No caso das handmaids, são obrigadas a vestir uma túnica vermelha que cobre todo o seu corpo e uma espécie de touca branca na cabeça que limita a sua visão.

Better never means better for everyone. It always means worse, for some.

Depois desta belíssima introdução, a pergunta que se impõe é: Distopia ou realidade? Se pensarmos bem, não está assim tão longe de algumas realidades à volta do mundo, onde em pleno século XXI ainda há países que veem as mulheres como seres inferiores, onde ainda há inúmeros casos de violações, escravidão sexual e mutilação genital feminina, e onde as mulheres veem os seus direitos serem espezinhados como lixo. É este tipo de pensamento que The Handmaid’s Tale implanta brilhante e inteligentemente nas nossas cabeças, transformando uma série de ficção científica especulativa numa série de terror, por ser tão real e actual.

The Handmaid’s Tale causou-me ansiedade. É extremamente desconfortável de ver pois é extremamente intensa, violenta e perturbadora. Não é fácil digerir tudo aquilo que está a acontecer.

Elizabeth Moss está excelente como Offred, entrega-se a 100% na sua performance e obriga-nos a estar emocionalmente investidos na sua personagem. Não são os seus monólogos interiores que nos fazem ter empatia por ela, são os seus olhos e as suas expressões faciais. Absolutamente fantástico.



The Handmaid’s Tale é uma série equilibrada e bastante completa. Argumento, realização, fotografia e banda sonora formidáveis. É bastante artística mas não de uma forma pretensiosa, tudo aquilo que acontece visualmente faz sentido para a história que está a ser contada.

Não tenho nenhum defeito a apontar mas existem alguns aspetos que podiam ser melhor explorados ou retirados por completo, como o uso por vezes desnecessário de flashbacks ou o facto da personagem do marido de June ser pouco aprofundada. Mas são detalhes mínimos que pouco ou nada mudam a minha opinião sobre a série.

The Handmaid’s Tale é uma série excecional que reflete os podres da sociedade, relevante politica e socialmente. É impossível ficar indiferente a esta obra. Teve um forte impacto em mim e é sem dúvida uma das melhores séries do ano. Não posso deixar de recomendar mais do que uma única só vez. Vejam, vejam, vejam.


Sara Ló
Outros críticos:
 Sara Ló:   9Abrir
 Margarida Nabais:   10