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The Dark Knight (2008)

Há um ano | Ação, Crime, Drama, | 2h32min

de Christopher Nolan, com Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Michael Caine, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman e Morgan Freeman


Três anos após ter relançado com brio cinematográfico a franquia Batman, Christopher Nolan regressa com a sua sequela – The Dark Knight que inconscientemente concorre com Batman (1989), a primeira versão de Tim Burton – colocando o antagonista Joker de volta à tela.

Faz precisamente 10 anos que The Dark Knight estreou nos cinemas e ainda hoje é considerado como o melhor filme de super-heróis da história do cinema. Concordarei com isso?

Antes de expor o meu ponto de vista, o que nos conta o filme?

Batman (Christian Bale) chegou numa fase decisiva na sua guerra contra o crime. Com a ajuda do inspetor Jim Gordon (Gary Oldman) e do advogado Harvey Dent (Aaron Eckhart), ambos conseguem desmantelar as mais recentes organizações criminosas que assombram as ruas de Gotham City. A associação dos três é eficaz. Subitamente um novo génio do crime espalha o terror e o caos em Gotham: o Joker (Heath Ledger). Ninguém sabe de onde vem ou quem seja. Demonstrando uma inteligência única com um humor psicopata, o Joker não hesita em atacar o submundo local, semeando o caos por todo o lado.

Percebi pela cena de introdução que iria ver um grande filme. Um assalto a um banco, digno do Michael Mann corar, com um plano louco e maquiavélico – consoante os assaltantes conseguem roubar o dinheiro, cada um trai o outro, matam-se, até sobrar um. O Joker. A primeira vez que aparece na tela, ele lança um olhar diabólico e uma frase digna de arrepiar: “Whatever doesn’t kill you makes you…stranger.” Percebemos desde a sua primeira aparição o que ele é: incontrolável, um rosto de anarquista que gosta de espalhar o caos. A cena de abertura do filme é mesmo memorável.

Como Tim Burton no seu tempo, Christopher Nolan teve total liberdade para fazer o filme que imaginava e sonhava. Não precisando de seguir todos os passos dos comic books para agradar os seus fãs. Nolan assume um verdadeiro Batman do século XXI, mais solitário do que nunca, intransigente e atormentado. Um homem dedicado na salvação da sua cidade, com o desejo de um dia se ver livre do fardo a que se impôs, para poder estar com a Rachel (Maggie Gyllenhaal) a mulher que ama.

A realização é magnífica. Nolan usa o mínimo possível de efeitos visuais, optando pelo realismo. A cena onde o camião da SWAT vira-se ao contrário foi realmente feita, fazendo-nos sentir um impacto visual inédito. Tal como a da explosão do hospital, realizada sem trocadilhos numéricos. A encenação do realizador britânico impressiona: tensão, ritmo, vários planos-sequência, uma direção dos seus atores com brio, são todos os ingredientes para a contribuição de um todo. Mais uma vez, a utilização das câmaras IMAX tornam as imagens com uma dimensão de beleza incomparável.

A banda sonora é novamente composta por Hans Zimmer e James Newton Howard – e é de louvar. É perfeita. Todas as músicas stressantes, com o violino (para o Joker) foram da mão de Zimmer e as outras mais épicas são de Netwon Howard. A música do filme é uma obra de arte. Aconselho-vos a ouvi-la.

Cada personagem do filme é perfeitamente trabalhada. Deve-se muito ao argumento dos irmãos Nolan. Batman, Harvey Dent e Gordon têm uma visão própria do que é a justiça e de como combater o mal encarnado pelo Joker. Os protagonistas vivem muito da profunda interação com os seus ambientes respetivos e das vontades que fluem a partir dele. O bem e o mal vivem em perfeita democracia. Nunca tivemos a oportunidade de tanto sentir empatia pelo Bruce Wayne.

Chegou a hora de falar sobre ele, sobre um antagonista icónico que marcou e MARCARÁ o cinema para sempre – o Joker aka Heath Ledger. Ele interpreta o caos. Uma loucura, uma fantasia, a destruição e o mal em si. Não sabemos quem é, de onde vem, nem nome, idade, morada, nada. Antes de matar alguém, convida-nos a contar uma história – a origem das suas cicatrizes. Interessante não é? O problema é que ele conta uma história diferente em cada ocasião. FIXEM: os melhores antagonistas da história do cinema são aqueles em que desconhecemos tudo sobre eles. Heath Ledger treinou com uma profundidade tão grande a sua personagem que não há dúvidas – ele é o Joker. O falecido ator (que partiu tão cedo) interpretou o antagonista com a técnica de método, isto é, tudo o que o personagem faz, o ator faz de verdade. Durante o famoso interrogatório do filme (Joker vs Batman) Ledger ordenou a Bale para realmente bater-lhe com a cabeça na mesa. Através de uma abordagem perfeita, réplicas cultas, Ledger oferece-nos o Joker com que sempre sonhamos. Um psicopata manipulador que está sempre um passo à frente, que avança sem estratégias nem lógica, é um anarquista que quer ver o mundo queimar e transformá-lo na sua loucura. Ganhou com mérito na Academia o Óscar de Melhor Ator Secundário. Nolan, para construir a personagem, baseou-se na BD de Alan Moore: The Killing Joke.

The Dark Knight é um dos melhores filmes que vi na vida. Não é simplista, é um duelo de pessoas, valores, meios, superações e objetivos. Uma oposição, uma luta de poderes, e meios de pressão. O filme é literalmente uma aula de cinema. Eu próprio tive a oportunidade de o analisar em várias aulas de argumento.

Após a temática do medo em Batman Begins, Christopher Nolan explora o caos. É brilhante. Irá marcar o século XXI, a nossa geração e a história do cinema. E…Why so serious? Recomendo-te a não perder.


Alexandre Costa
Outros críticos:
 Sara Ló:   10
 Pedro Horta:   10
 Pedro Freitas:   10
 Alex Duarte:   9
 Rafael Félix:   9
 Pedro Quintão:   8
 Margarida Nabais:   9
 Filipe Lourenço:   9
 Rafaela Boita:   10
 Raquel Lopes:   10