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Color Out of Space(2019)

Há um mês | Horror, Sci-Fi, | 1h51min

de Richard Stanley, com Nicolas Cage, Joely Richardson, Madeleine Arthur e Elliot Knight


O que é que Color Out of Space e Mandy (2018) têm em comum? Ambos navegam pelo mundo imaginativo do terror cósmico e têm nada mais, nada menos, do que Nicolas Cage no papel principal. Agora o que os distingue: O foco e coerência narrativa. Enquanto Mandy reporta uma história de vingança tão mirabolante como eficaz, com um decor distinto e uma banda sonora atmosférica, Color tropeça constantemente no mix de géneros que procura conjugar após a marca dos trinta minutos.

Realizado e coescrito por Richard Stanley, em parceria com Scarlett Amaris, a adaptação do conto do autor H.P. Lovecraft começa com uma narração do hidrologista Ward Phillips (Elliot Knight), pouco antes de interromper o ritual oculto da feiticeira adolescente Lavinia Gardner (Madeleine Arthur).

O seu pai, Nathan (Cage), bom amigo do álcool, além de cozinhar para a família tem também gosto em ordenhar as suas alpacas. Já a mãe, Theresa (Joely Richardson), recém recuperada de um cancro mamário, trabalha no sótão enquanto conselheira financeira. Além de Lavinia, que anda entretida com o livro Necronomicon, têm ainda mais dois filhos, Benny (Brendan Meyer) e Jack (Julian Hillard).

A família vive de forma ordeira, com os desentendimentos típicos das pessoas que partilham o grau de parentesco. Até que uma noite um meteorito colide com o seu jardim, libertando organismos que lentamente começam a deteriorar o psicológico das personagens, entre outros efeitos castradores. Esta é a réstia de terror que chega a funcionar em Color: O medo do desconhecido e a noção de que o espaço é um ambiente nocivo. É um terror implícito que se apoia no mistério para despoletar interesse.

No entanto, não demora muito a transformar-se em horror a la David Cronenberg, mais físico e grotesco. Já o plano de fundo recorda a beleza cancerígena do ambiente de Annihilation (2018). Isolados, estes elementos resultam. Mas cedo o filme revela falta de perícia em conjugar todos os seus géneros. A comédia excêntrica com o drama sentido, ou o terror implícito com a ficção científica. Tudo escala de forma torcida e bizarra, sendo que o entretenimento desce em relação inversa.

Filmado em Portugal, visualmente Color tem alguns momentos dignos de nota. Com um orçamento limitado, os efeitos computorizados estão perfeitamente decentes, com exceção de uma ou outra criatura. Ainda assim, o estilo vibrante e colorido do filme é difícil de ignorar. É uma oportunidade que este subgénero do espetro do terror não pode desperdiçar.

Isso e ter Nicolas Cage nos seus momentos de histeria, que infelizmente acabam por eclipsar as restantes atuações. Não há carisma como o de Cage, que mesmo a meio-gás consegue oferecer alguns instantes prazerosos. Algo que escassa imenso durante esta longa sessão. Em última instância, Color tenta espremer demasiado uma alpaca que não tem leite suficiente para dar, o que acaba por atordoar o cérebro em vez de o estimular.


Bernardo Freire
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