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War of the Worlds(2005)

Há 23 dias | Aventura, Sci-Fi, Thriller, | 1h56min

de Steven Spielberg, com Tom Cruise, Dakota Fanning, Tim Robbins, Justin Chatwin e Miranda Otto


Eu, tal como – acredito eu – a grande maioria de vocês, já vi uma grande quantidade de filmes. Uns que preferia não ter visto, outros que aceito que existam, muitos deles bons e outros que considero uma obra de arte. O que é certo é que há filmes que ficam sempre na nossa memória, por boas ou más razões, e que acabamos por rever diversas vezes. Na grande maioria delas, pelo menos a mim, a opinião sobre a obra não muda, noutras percebemos que com outro olhar e outra maturidade há mensagens que recebemos melhor e, como tal, a qualidade geral da obra cresce.

Agora, se me perguntarem em qual destas categorias eu insiro War of the Worlds, do grande Steven Spielberg, eu, mesmo já o tendo visto inúmeras vezes, não vos sei dar uma resposta concreta. Decidi rever a obra e tentar retirar algo mais daqui porque, confesso, sempre foi um filme que nunca me satisfez em diversos sentidos.

Para quem não sabe a história desta obra, eu revelo um pouco. Ray Ferrier (Tom Cruise) é um homem que ganha a vida a organizar contentores industriais em portos. Um dia, de regresso a sua casa, é confrontado por Mary Ann (Miranda Otto), a sua ex-mulher acompanhada por Tim (David Alan Basche) pelo facto de Ray ter chegado meia hora atrasado para receber os seus dois filhos Robbie (Justin Chatwin) e Rachel (Dakota Fanning), que irão passar o fim de semana consigo. Percebemos rapidamente o quão desorganizado e desligado dos filhos Ray é devido à frieza com que é recebido pelos seus próprios rebentos.

No dia seguinte, uma quantidade insana de relâmpagos cai bem perto da casa de Ray, acompanhados por um vendaval assustador e depressa se sabe que mais de duas dezenas de raios atingiu o mesmo local numa das ruas, algo muito estranho. Tudo o que funciona à base de eletricidade deixa de trabalhar desde telemóveis a carros e o caos surge. Enquanto Ray e uma multidão analisam o buraco causado pela chuva de raios, a terra começa a tremer e a separar-se e debaixo do alcatrão surge uma máquina assustadoramente gigante que de imediato atinge várias pessoas com ondas de energia, tornando-as em pó. Ray rapidamente percebe que a Terra está sob um ataque extraterrestre e corre de volta para sua casa para ir buscar os seus filhos e fugir dali.

E assim começa uma narrativa de chacina à humanidade, com imensas máquinas daquele género a matar tudo o que se mexe, enquanto Ray e os seus filhos procuram abrigo, de alguma forma.

O meu grande problema com War of the Worlds deve-se à quantidade insana de questões que são colocadas e que nunca chegam a ter direito a uma resposta. São demasiadas e o filme, embora siga o seu curso, nunca nos dá sequer ideias para os vários porquês que nos surgem. Porquê o ataque? Porque é que as máquinas umas vezes tornam as pessoas em pó e outras vezes as capturam para mais tarde as relançar para lhes retirar o sangue e espalhá-lo por tudo o que são ruas.

A obra, adaptada do livro de H.G. Wells, baseia-se nas suas personagens e na relação que elas conseguem estabelecer com a audiência, mas o problema é que, pelo menos comigo, essa conexão não existe. E, como tal, não me consigo importar com o destino que lhes espera.

É, como seria de esperar, bastante bem comandado por Spielberg com uma realização que, de facto, causa tensão e nervos intensos em cenas que devem ser estudadas e tudo isto é acompanhado por efeitos visuais e sonoros muitíssimo bem criados. Mas estes fatores, ainda que dignos de nomeações ao grande prémio, não são suficientes para a minha pessoa aceitar os buracos que o argumento deixa.

Eu sei que há certos filmes aos quais não devemos exigir este tipo de respostas e, aliás, defendo várias obras por isso mesmo. Mas aqui, numa obra de Spielberg, a exigência é sempre maior, confesso. E acabo por ter uma relação amor-ódio com War of the Worlds precisamente porque eu quero importar-me com estas personagens, temer pelas suas vidas, mas de facto isso não acontece.

Veja e reveja as vezes que quiser esta obra, o final continua sempre a levantar-me pontos de interrogação enormes. Não nego que o seu pace rítmico e intenso faz com que seja facilmente assistido, mas de facto não consigo olhar para War of the Worlds como uma boa obra. Não é má, mas não é boa.


Pedro Horta
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   8