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Rocketman(2019)

Há 10 meses | Biografia, Drama, Musical, | 2h1min

de Dexter Fletcher, com Taron Egerton, Jamie Bell, Richard Madden


Rocketman, o filme biográfico inspirado na carreira do grandioso cantor Elton John, chegou ao grande ecrã após uma conturbada produção que esteve em desenvolvimento durante quase duas décadas, passando pelas mãos de diversos estúdios de cinema e mantendo vários artistas associados ao projeto, como Tom Hardy ou Justin Timberlake. Finalmente, em 2018, a Paramount Pictures oficializou a longa-metragem, que chegou recentemente às salas de cinema, numa obra assinada pelo realizador Dexter Fletcher (Wild Bill – 2011; Eddie, The Eagle – 2015) e protagonizada por Taron Egerton (Kingsman: The  Golden Circle – 2017; Robin Hood – 2018).

 

Nesta biopic, somos introduzidos à infância de Reggie Dwight, uma criança que se esforça por mostrar o seu enorme talento como pianista enquanto busca valorização por parte dos seus pais. Reggie cresce, adquire o pseudónimo de Elton John e entra num percurso rumo do estrelato. Contudo, conforme ascende no seio artístico, os problemas intrínsecos na sua vida pessoal lançam-no para uma espiral tóxica e depressiva, num universo moldado por drogas, álcool, sexo e de futilidades.

 

É inevitável escrever sobre Rocketman sem pensar em Bohemian Rhapsody (2018), a biografia do mítico Freddie Mercury, que apesar de vencer as demais diversas premiações, conseguiu dividir as opiniões do público e da crítica especializada. Confesso que, apesar das incongruências cronológicas e da romantização de alguns factos, gostei imenso dessa obra, devido à energia que nos presenteava em diversas cenas, à banda sonora e à interpretação fenomenal de Rami Malek (Papillon – 2017; Mr Robot – 2015-presente). Contudo, não me considero fã de Elton John - gosto somente de alguns singles - e desconheço totalmente a sua história de vida, todavia adoro produções que adaptam histórias pessoais de músicos e isso foi o suficientemente para Rocketman me conseguir intrigar.

 

A base da narrativa foge do habitual. Assume o formato de um musical no qual todas as músicas são adaptadas ao contexto de cada cena e interpretadas pelos próprios atores. Não tenta reunir e romantizar todos os eventos que ocorreram na carreira do cantor e prefere concentrar-se especialmente numa abordagem ao lado psicológico de Elton John, contemplando-nos com um trabalho que se pressupõe a apresentar-nos um drama negro, complexo, inundado em simbolismos e culminando numa reflexão sobre autoestima, relações humanas e a forma que somos dependentes destas. Toda a naturalidade com a qual abordam questões extremamente pessoais e obscuras da carreira do cantor deixa-nos perplexos pela coragem deste em permitir apresentar o seu lado mais íntimo e vulnerável para o grande público. São raras as biopics que possuem tal irreverência e isso é de louvar.

 

Se por um lado, toda a escrita vence graças à complexidade psicanalítica, por outro parece não possuir um propósito concreto em determinados momentos e perde sobretudo na falta de energia. São poucas as atuações que nos fazem “bater o pé” e sentir que estamos dentro delas. Só que talvez esse não seja exatamente o seu propósito, o Bohemian Rhapsody é que nos habituou mal.

 

E quanto às cenas musicais? Bem, as coreografias e a edição são muito boas, não a considero tão espetaculares como as que observei em Mamma Mia: Here We Go Again (2018) ou em diversos outros musicais, mas também não existe necessidade de transcender. A voz da maioria dos atores é agradável, tal como as interpretações Jamie Bell (The Adventures of Tintin – 2011; Nymphomaniac – 2013), Richard Madden (Game of Thrones – 2011-2019; Cinderella – 2015), Bryce Dallas Howard (Jurassic World – 2015-; Black Mirror - 2011-presente), mas é Taron Egerton que brilha e que possivelmente continuará a brilhar na próxima premiação dos Oscars.

 

Tecnicamente Rocketman é excelente, contempla um argumento complexo possuidor de múltiplas camadas narrativas (apesar de algumas camadas serem abordadas exaustivamente), a escolha do elenco foi acertada, assim como a maquilhagem e o guarda-roupa se demonstraram como dois campos perfeitos. Porém, carece da ausência de alguma energia suficiente para cativar parte do público e essencialmente faltam alguns êxitos musicais da carreira do cantor.

 

Em suma, tenho a certeza que os fãs vão amar cada segundo desta longa-metragem, enquanto o resto do público (como eu) irá apenas considerá-lo meramente agradável e pouco memorável.


Pedro Quintão
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   8
 Bernardo Freire:   8
 Rafael Félix:   8
 Pedro Horta:   7