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Bad Boys for Life(2020)

Há 10 dias | Ação, Comédia, Crime, | 2h4min

de Adil El Arbi e Bilall Fallah, com Will Smith, Martin Lawrence, Paola Nuñez e Jacob Scipio


We fly together, we die together. Bad Boys for Life!... Mas se calhar já se reformavam de uma vez, não?

Aquilo que parece um ponto final a uma das duplas mais aclamadas das histórias de ação acaba por ser um prolongamento forçado para um Bad Boys 4 (não sei se afirmar isto é spoil ou não, mas agora já sabem). Will Smith e Martin Lawrence voltam ao terreno com as suas personagens, Mike e Marcus, respetivamente.

Este filme conta com dois pontos de partida que, na sua evolução vão se cruzar de uma maneira (in)esperada. De um lado, temos Mike (Will Smith) e Marcus (Martin Lawrence) a correrem contra o tempo em direção ao hospital, porque a filha de Marcus acaba de ter um filho. No outro lado, vemos Isabel Aretas (Kate del Castillo) a executar o seu plano perfeito de fuga da prisão, com a ajuda do seu estimado filho Armando Aretas (Jacob Scipio). Ambos pretendem vingar a morte do seu marido e pai, que outrora tinha sido morto por uma equipa, na qual Mike Lowry fez parte. Assim sendo, decidem matar todos os que contribuíram para aquele fatal destino.

Digamos que esta história tem várias camadas que são, de certa forma, desbloqueadas pelos momentos trágicos que acontecem: um primeiro para motivar Mike Lowry, um segundo que obriga o Marcus a sair da sua perfeita reforma, e um terceiro momento que obriga a existência de uma continuação. Enfim, se tiveram de reescrever várias vezes o guião e foi isto que saiu, nem quero pensar como estavam os anteriores.

Com uma narrativa claramente esforçada, um tanto exagerada para que houvesse um fio condutor, temos mais um filme que é carregado pela esplêndida química entre Will Smith e Martin Lawrence. Apesar da idade, das suas limitações físicas acarretadas pela mesma, a sua amizade continua bastante presente. A sua conexão sente-se a quilómetros, fazendo remontar um bocado para os filmes antecessores. Os seus momentos cómicos fazem com que o filme seja muito mais likable e que, realmente passemos um bom momento enquanto espetadores.

O mesmo não consigo dizer em relação ao resto das personagens. A própria narrativa não ajudou em nada, no que toca a conhecer os vilões da história. Kate del Castillo e Jacob Scipio, supostamente, deveriam ter uma ligação especial no ecrã porque mãe e filho. Mas em nenhum momento isso se sente. Os seus diálogos, que deveriam vir com raiva associada fruto da situação em que encontravam, eram pouco trabalhados e pobres. Sinceramente, pouco ou nada podemos concluir quanto às suas personagens, o que é uma pena tendo em conta o final.

E, houve ainda a tentativa de introduzir as novas personagens que, trabalharam de perto com Mike Lowry e Marcus Bennett: Rita (Paola Nuñez), Kelly (Vanessa Hudgens), Dorn (Alexander Ludwig) e Rafe (Charles Melton). Uma equipa jovem, mas honestamente, sem personalidade nenhuma. Apareceram, simplesmente, como forma de enchimento e não complemento.

Quanto à realização em si, confesso que o estilo do Michael Bay é mais eficiente do que o de Ali El Arbi e Bilall Fallah. Bay tem um toque só dele para dar o tom de épico a uma certa cena, que sinto que faltou neste filme. Nos outros dois trabalhos, há cenas memoráveis que se tornaram intemporais e imagem de marca dos Bad Boys. No entanto, não consigo dizer o mesmo deste filme. Mas tirando isso, conta com perseguições com muito mais qualidade técnica, boas sequências de luta (umas melhores que outras, mas a essência está lá) e, claramente, muitos tiros e explosões.

Bem, por mais críticas que possa fazer, não é de todo um mau filme. Eu peco por me focar muito na história, mas sei que no final, o trabalho é muito mais do que isso. E, volto a frisar que o espetador passa um bom momento. A este bom momento, vem sempre acarretado a nostalgia. E é impossível ficar-se imparcial a isso. Desde a idade e virilidade das personagens lentamente mais esbatida, as referências feitas aos outros filmes que te deixam com um sorriso na cara, enfim… é mesmo como eles dizem, Bad Boys for life.


Raquel Lopes
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