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Teen Spirit(2018)

Há 3 meses | Drama, Música | 1h32min

de Max Minghella, com Elle Fanning, Zlatko Buric, Agnieszka Grochowska e Archie Madekwe


Desde The Neon Demon (2016) que faço por não perder um filme de Elle Fanning, uma atriz que tem demonstrado constantemente o seu talento nesta profissão altamente competitiva. O seu nome no elenco de um filme começa a atribuir-lhe credibilidade, começasse por aí. Em Teen Spirit, a jovem revela a sua faceta de cantora, até então desconhecida. Não tem o mesmo impacto que Lady Gaga em A Star Is Born (2018), é certo, mas continua a ser delicioso vê-la em palco. Óscar de Melhor Atriz um dia? Não seria de pasmar.

A orientar a protagonista e os bastidores está o ator-agora-realizador Max Minghella, que também é o autor do argumento. Segura e eficaz são as palavras que melhor descrevem a história. Fanning é Violet Valenski, uma adolescente polaca que sonha tornar-se estrela da música pop e escapar da pobreza. A possibilidade aparece na forma de um concurso de dança chamado Teen Spirit, que vem fazer audições pela primeira vez na sua região, a Ilha de Wight, Inglaterra. Sem o apoio da sua mãe, Violet encontra em Vlad (Zlatko Burić), um ex-cantor de ópera gasto, a proteção e orientação que precisa.

Menosprezar o filme com base na constatação da recorrência de narrativas do género seria não só insensato, como desatento. Minghella não faz praticamente nada que já não tivesse sido feito antes, no entanto, confia no material como se crê numa fórmula testada e aprovada. Acima de tudo, reúne as condições necessárias para criar uma atmosfera magnética em torno de Fanning, que é o centro das atenções de Teen Spirit.

Numa das decisões mais interessantes do realizador, algumas performances musicais subitamente transformam-se em autênticos vídeos musicais. São momentos verdadeiramente transformativos na vida da protagonista, que sente no canto e na interpretação a evasão do seu quotidiano insatisfeito. Por outro lado, o argumento peca na evolução da relação entre Violet e Vlad, ficando-se por uma superfície demasiado ligeira. Duas a três cenas onde informações relevantes eram expostas podiam ter resultado numa relação entre aluna e mestre mais envolvente.

Ainda que a escrita de Minghella esteja em fase de maturação, o seu gosto musical já está bem desenvolvido. Desde Lights de Ellie Goulding, até Little Bird de Annie Lennox, passando por Don't Kill My Vibe​, que integra as faixas originais do filme, a lista está composta para que Fanning brilhe como a estrela que é.

O filme rima e conta uma história intemporal sem a devida substância, mas compensa ao ser altamente sonante. Teen Spirit é a confirmação de que Elle Fanning vai ter uma carreira longa e saudável, ao mesmo tempo que introduz Max Minghella como um realizador e argumentista competente.


Bernardo Freire
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