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Bombshell(2019)

Há 25 dias | Biografia, Drama, | 1h48min

de Jay Roach, com Charlize Theron, John Lithgow, Margot Robbie e Nicole Kidman


Da mesma mão que escreveu The Big Short (2015), Bombshell retrata os eventos que resultaram no escândalo sexual que abalou a Fox News e toda a América em 2016. Além de ser protagonista interpretando Charlize Theron também assina a produção do filme que surpreendentemente conseguiu três nomeações para os Oscars 2020.

A narrativa segue três personagens. Gretchen Carlson (Nicole Kidman), a apresentadora em fim de carreira que lança o caso de assédio sexual contra Roger Ailes, na altura CEO da Fox News; Megyn Kelly (Charlize Theron), a pivô que começou uma guerra aberta com Donald Trump ao confrontá-lo com as suas declarações sobre mulheres durante um dos debates da campanha republicana, e que também havia sido atormentada por Ailes anos antes; e Kayla (Margot Robbie) a única personagem puramente ficcional, uma jovem a tentar singrar no canal que é rapidamente vai descobrir o que é preciso para conseguir a “lealdade” de Roger.

Bombshell é paupérrimo em imensas frentes, não há como negar. Os ambientes são desinspirados, um argumento pouco focado e demasiado derivativo e trabalho de câmara e fourth wall breaking que faz lembrar a versão “loja dos 300” de The Big Short.

Mas tem no seu núcleo performances que acabam por compensar a pobreza e lacunas tanto do guião, como da estética do próprio filme. Kidman, Robbie, Lithgow e Theron, coberta de próteses faciais, são absolutamente fenomenais nos seus papéis, cada uma com as suas próprias nuances e momentos para brilhar.

Embora Kidman e Theron interpretem mulheres fortes, cada uma com os seus dilemas pessoas e lutas privadas contra todo este sistema quase tirânico e perverso montado por dentro da estrutura da Fox, é Margot Robbie o pêndulo moral que acaba por equilibrar todo o guião. A sua (quase exagerada) inocência e posterior revolta, não só para com os perpetuadores de inúmeros de aproveitamentos sexuais e abuso de poder, mas também para com os elementos passivos, todos aqueles que assobiam para o lado e permitem que este “monstro” se torne estrutural e intrínseco aos próprias bases da nossa sociedade, são aquilo que mantém o filme numa rota minimamente interessante, ainda que seja fugazmente.

Não compensa a falta de atenção a tudo o resto, no entanto estes atores elevam o material mais fraco ao ponto de não se tornar insuportavelmente aborrecido. Adicionando a isto, até consegue capturar bastante bem a atmosfera de um local de trabalho tóxico e consideravelmente machista, e tem uma cena em particular que é assustadoramente bem encenada entre Margot Robbie e John Lithgow, mas pouco mais se tira além disto.

É superficial e bastante descartável, conseguindo ainda assim sobreviver do próprio interesse do caso em questão (embora até isso por vezes tenha sido abandonado) e das performances, que garantidamente mereciam estar num filme melhor que este. 


Rafael Félix
Outros críticos:
 Bernardo Freire:   6