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To All The Boys I've Loved Before(2018)

Há um ano | Drama, Romance | 1h40min

de Susan Johnson, com Lana Condor, Noah Centineo, Janel Parrish, Anna Cathcart, Israel Broussard e John Corbett



To All the Boys I've Loved Before é a nova comédia romântica da Netflix, baseada num romance com o mesmo nome, de Jenny Han. O livro transformou-se numa trilogia, composta por To All the Boys I've Loved Before (2014), P.S. I Still Love You (2015) e Always and Forever (2017), havendo assim a possibilidade de duas sequelas para o primeiro filme, realizado por Susan Johnson.

Lara Jean (Lana Condor), jovem adolescente de 16 anos, guarda as suas cartas de amor numa caixa bem escondida no seu quarto, a salvo de todo o mundo. Estas não são as típicas cartas de amor que um pretendente escreveu para a sua amada, mas sim cartas escritas por Lara, de maneira a expressar as suas emoções em relação a todos os rapazes pelos quais se apaixonou – cinco no total. Nessas cartas, Lara escreve coisas que nunca iria dizer na vida real, são apenas desabafos nunca com o intuito de serem lidas por alguém a não ser ela própria. Até ao dia em que as cartas são misteriosamente enviadas aos seus destinatários por correio.

Subitamente a vida amorosa de Lara Jean deixa de ser apenas imaginária. Apesar da maior parte das cartas já não reflectir os actuais interesses de Lara Jean – muitas foram escritas há anos – uma delas revela os seus sentimentos por Josh (Israel Broussard), seu vizinho, seu amigo e ex-namorado de Margot (Janel Parrish), a sua irmã mais velha.

Para convencer Josh que não sente nada por ele, Lara Jean faz um acordo com outro rapaz que recebeu a sua carta. Peter (Noah Centineo) foi deixado por Gen (Emilija Baranac) e agora quer fazer-lhe ciúmes; Lara não quer que o ex-namorado da sua irmã saiba que sente uma atração por ele. Junta-se o útil ao agradável: Lara Jean e Peter começam a fingir que namoram.

I write a letter when I have a crush so intense that I don’t know what else to do.

Alguns filmes existem para nos surpreender, outros estão cá para nos levar numa viagem que já percorremos anteriormente. E não há mal nenhum nisso – quando é bem feito. To All the Boys I’ve Loved Before executa uma fórmula clássica mas redime-se fazendo-o com carinho e afeto. No entanto, as coisas tornam-se um pouco toscas quando as referências aos clássicos dos anos ’80 de John Hughes são introduzidas – não precisamos de mais filmes que repetidamente têm as suas personagens a referenciar filmes como Sixteen Candles (1984) ou Pretty in Pink (1986) para percebermos a sua influência.

To All the Boys I’ve Loved Before é simples e não traz nada de inovador para o género, apresentando-nos uma premissa familiar neste tipo de filmes. Em 10 Things I Hate About You (1999), a personagem de Heath Ledger também fingia um interesse na personagem de Julia Stiles, tal como How to Lose a Guy in 10 Days (2003) e The Proposal (2009), que nos apresentam relações amorosas falsas. Essas parecenças não irão incomodar os fãs do livro e o enredo irá certamente apelar ao seu público-alvo – adolescentes do secundário.

O elenco é surpreendentemente bom, cheio de personagens e atores que criam empatia com o público. O filme ganha pontos extra pelo casting de uma atriz asiático-americana como protagonista. Mais conhecida pelo seu papel como Jubilee em X-Men: Apocalypse (2016), Lana Condor fez um bom trabalho e muita gente irá identificar-se com a sua personagem. Tem uma química credível com Noah Centineo (por quem a audiência se irá derreter). Ainda assim, existem personagens secundárias que são interessantes mas o filme comete o erro de não as explorar.

A cinematografia é apelativa, alguns planos captaram a minha atenção por serem bem executados, mas existem alguns erros de continuidade e escolhas na realização que diminuem a qualidade do filme: muita da informação pertinente da história é apenas explicada verbalmente por alguma personagem, em vez utilizarem a narrativa visual para mostrar o que realmente aconteceu – o que pode ser desculpado pelo baixo orçamento do projeto.

Depois do desapontamento com outro original da Netflix - Kissing Booth (2018) - To All the Boys I’ve Loved Before surpreendeu-me pela positiva, por estar um pouco acima da média. É um romance satisfatório e agradável à vista, mas se não gostam de enredos e finais previsíveis, bem como de romances cheios de clichés, deixem este de lado.


Sara Ló
Outros críticos:
 Pedro Freitas:   8
 Margarida Nabais:   7
 Raquel Lopes:   7