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High Fidelity - 1ª Temporada(2020)

Há 28 dias | Comédia, Romance, |

de Sarah Kucserka e Veronica West, com Zoe Kravitz, David H. Holmes, Da’Vine Joy Randolph, Jake Lacy e Kingsley Ben-Adir


Numa era em que o que menos faltam são remakes, recentemente estreou mais um. Desta vez, é de High Fidelity, um filme popular de 2000 tornado série televisiva. Além da mudança do formato, o protagonista agora também tem um género diferente.

É Zoё Kravitz que veste a pele de Rob, a dona de uma loja de vinis e enciclopédia musical andante que se encontra novamente com o coração despedaçado. Porque é que nenhuma das suas relações amorosas corre bem? Essa é uma pergunta que ela tenta responder ao longo desta primeira temporada.

Isto não é um remake à letra, mas mais uma adaptação aos tempos modernos. Há várias semelhanças entre as duas obras, claros paralelos. No entanto, aproveitaram a oportunidade para expandir a história e levaram a cabo várias alterações criativas, começando logo pelo já mencionado género da personagem principal.

E tão boa decisão que foi. Zoё Kravitz preenche na totalidade os sapatos de John Cusak ao interpretar uma versão de Rob mais fácil de se gostar. Contudo, a personagem dela continua a não ser melhor, propositadamente assim para incentivar no espetador uma análise introspetiva já que, tal como nós, esta tem muitos defeitos que se calhar nem vê.

O enredo em si é sólido, mas diria que por vezes se tornou um pouco repetitivo pelo meio. Assim, acabei por sentir que esta temporada foi mais uma base para estabelecer a história, uma proposta para nos convencer a deixá-los expandi-la. Se quiser de facto se tornar nalgo de maior renome, terá de continuar a marcar o seu próprio ritmo e inovar.

Curiosamente, o episódio que mais gostei foi o que se desviou completamente do resto e seguiu Simon (David H. Holmes), o melhor amigo, ex-namorado e colega de Rob, em vez dela. Ele e Sherise (Da’Vine Joy Randolph), outra amiga e colega, protagonizam das melhores e mais divertidas partes da série. Este cuidado com as personagens secundárias é muito importante para evitar que sejam apenas adornos superficiais. Portanto, é definitivamente algo que espero que continuem em apostar e a apostar ainda mais nas possíveis próximas temporadas.

Outro bónus de High Fidelity é, sem dúvida alguma, a música. Tantas referências e discussões sobre o tema são feitas que se torna quase como uma outra personagem ou mesmo um deus omnipresente. É uma coleção de momentos que qualquer amante de música vai apreciar, pois representa um gosto eclético a partir do qual todos podemos retirar algo. Deste modo, apoia-se muito mais no som do que no visual, que mesmo assim é bom no sentido de não se ter nada para apontar.

Com apenas 10 episódios de 30 minutos ou menos, é a série perfeita para ver num dia parado. Os episódios seguem-se um após o outro naturalmente, quase involuntariamente. Pode não deixar o espetador completamente consumido, mas é divertido o suficiente para o manter interessado. Sem tirar nem pôr, cumpre o seu propósito e isso basta.


Margarida Nabais
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