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Beautiful Boy(2018)

Há 10 meses | Biografia, Drama | 1h51min

de Felix van Groeningen, com Steve Carell, Timothée Chalamet, Maura Tierney, Christian Convery e Oakley Bull


Filmes sobre vícios como drogas ou álcool são particularmente difíceis de assistir. Parcialmente porque já sabemos que conduzem os seus consumidores à desgraça, mas sobretudo porque evocam um terror extremamente realista e duro de observar passivamente no assento. Realizado por Felix van Groeningen, Beautiful Boy é uma biografia que aborda sensivelmente a temática da adição e as consequências inevitáveis que esta tem nas dinâmicas familiares.

Dois livros servem de pilares para o argumento: Beautiful BoyTweak, escritos por David Sheff e Nic Sheff, respetivamente. Foram eles que enfrentaram o monstro da adição, David no lugar de pai sempre preocupado e Nic na posição de jovem toxicodependente. A sua luta contínua proporcionou a experiência base para os livros, que são agora adaptados para o grande ecrã pelo realizador e pelo coargumentista Luke Davies.

Na pele de David Sheff, Steve Carell abre o filme com duas perguntas firmes a um médico: "O que é que lhe estão a fazer e como é que o posso ajudar?". Está a falar, claro, do seu filho Nic (Timothée Chalamet), que após ter experimentado um pouco de tudo, parou na droga mais letal, a metanfetamina. Narrado entre tempos felizes e outros menos prósperos, a história segue a sua batalha dramática contra a substância maligna.

Este estilo de narrativa é metade do que faz o sucesso de Beautiful Boy. Vemos um pai babado numas cenas e noutras uma versão revoltada, dependendo do estado de saúde e rebeldia de Nic. Ainda que as primeiras cenas sejam um pouco confusas, a certo ponto o método fica acessível. Este choque de circunstâncias torna o história mais angustiante. Recorda até a fragilidade da saúde quando não zelada.

A outra metade diz respeito às impressionantes performances de Carell e Chalamet. Nota-se um apelo ao cinema dos anos 70, quando, por exemplo, a realização dá um passo atrás e permite que o trabalho dos atores seja o centro das atenções. Individualmente são autênticos, mas nas cenas em que partilham o ecrã protagonizam autênticas lições de atuação. Não seria de admirar que Chalamet, depois da nomeação dos Óscares por Call Me by Your Name (2017), voltasse ao lote dos nomeados por Beautiful Boy.

Há muito a admirar, mas não está isento de falhas. Nomeadamente a música, que insiste em tentar manipular as emoções quando a natureza do filme já é pesada o suficiente. Por outro lado, os picos do drama têm um impacto limitado. Mas certamente farão todo o sentido para quem consegue relacionar-se direta ou indiretamente com este ciclo vicioso.

Se há mensagem que van Groeningen pretende passar, é que estes casos não acontecem isolados. A luta contra o consumo de drogas é uma responsabilidade comunitária que deve ser encarada com urgência e perseverança por parte dos familiares. Prevenir é o caminho a seguir, na certeza de que o consumo de drogas é um sintoma de um problema maior.


Bernardo Freire
Outros críticos:
 Rafael Félix:   6
 Margarida Nabais:   8