Se ainda não viste nada da saga, provavelmente também irás sentir que faltam informações para que a história faça algum sentido.

Se ainda não viste nada da saga, provavelmente também irás sentir que faltam informações para que a história faça algum sentido.

2018
Crime, Drama, Thriller | 1h57min
de Fede Alvarez, com Claire Foy, Beau Gadsdon, Sverrir Gudnason, Lakeith Stanfield e Sylvia Hoeks


The Girl in the Spider's Web, realizado pelo cineasta Fede Alvarez, corresponde ao quarto livro da Saga Millenium, escrito não pelo autor sueco da trilogia Stieg Larrson (1954-2004), mas sim, por David Lagercrantz. Não é a primeira vez que a saga chega aos ecrãs – em 2009 uma trilogia foi adaptada para o cinema e em 2011, David Fincher o realizador de filmes como Se7en (1995), Fight Club (1999) e Zodiac (2007) realizou uma versão norte-americana protagoniza por Rooney Mara e Daniel Craig, intitulada The Girl with the Dragon Tatoo (2011), em português, Millennium: Os Homens Que Odeiam as Mulheres.

Lisbeth Salander (Claire Foy) vive isolada do mundo desde que se tornou conhecida devido às publicações do jornalista Mikael Bloonkvist (Sverrir Gudnason) na revista Millenium. É uma hacker justiceira que defende as mulheres sempre que possível, utilizando as suas habilidades para fazer o bem. Balder (Stephen Merchant) contrata os serviços dela para recuperar o software Firefall, um programa de computador que permite ter acesso a armas nucleares em todo o mundo. A invenção é também desejada pelos “aranhas”, um grupo perigoso de criminosos. A história desenvolve-se em torno desta luta pela invenção, seguindo o ponto de vista de Salander.

Esteticamente, a longa está bem feita. Tem uma boa fotografia que mostra as paisagens suecas com nitidez e em grandes planos.

A atriz britânica, Claire Foy, que interpreta a protagonista segura todo o filme com a sua representação fantástica e credível.

Contudo o argumento é fraco. A história está demasiado simplificada e é bastante previsível. Não existe tempo para digerir os dramas apresentados. Parece que a aposta não foi no suspense, mas sim na ação. Isso comprova-se com os movimentos de câmara apressados que criam confusão aos olhos do espectador. Além disso, as resoluções são demasiado rápidas e simples. Teria sido mais interessante uma direção menos preguiçosa e um argumento mais cuidado e pormenorizado que desse mais enfâse, por exemplo ao facto de Salander se ter tornado numa justiceira do feminino, em vez de (como fez) se focar na questão da busca pela invenção.

Ao nível do conteúdo existe um certo vazio que não permite ir além da estrutura da história. As cenas ocorrem porque sim e o final é assim porque sim. Não há muito mais a dizer. O argumento é superficial e não explora o suficiente o arco das personagens.

Se ainda não viste nada da saga, provavelmente também irás sentir que faltam informações para que a história faça algum sentido. Contudo, mesmo que já tenhas visto algo da saga, é possível que sintas que as informações, ainda assim, são tratadas de modo demasiado leve e simples.

Resume-se a um filme esquecível. Poderia ter aproveitado a ideia de justiça dada no primeiro ato, mas opta por não ir mais além e acaba por perder o interesse e a relevância.   


por Rafaela Teixeira