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Interview with the Vampire: The Vampire Chronicles(1994)

Há 29 dias | Drama, Terror, | 2h3min

de Neil Jordan, com Brad Pitt, Tom Cruise, Kirsten Dunst, e Antonio Banderas


Lembro-me que talvez desde os meus 5 ou 6 anos de idade, sempre desejei ver Interview with the Vampire devido ao meu fascínio por estes seres. Contudo, a minha família nunca permitiu porque não possuía idade para tal e mais tarde acabei por desinteressar-me graças à banalização que ocorreu com os vampiros no final da década passada, no qual o fenómeno Twilight (2008-2012) se manifesta como um dos grandes culpados, pois desconstruiu o lado assustador, místico e negro dessas criaturas, tornando-as bem comuns e desinteressantes. Entretanto, fui desafiado a assistir a esta produção, como comemoração dos 25 anos da sua estreia e toda a minha curiosidade voltou a tornar-se presente.

 

Esta obra concentra-se na história de vida narrada pelo vampiro Louis (Brad Pitt – Ad Astra – 2019), a um jovem jornalista (Christian Slater – The Name of the Rose – 1986). Nela, conhecemos a origem de Louis, a ligação com o seu criador Lestat (Tom Cruise – Rock of Ages – 2012) e sobretudo a sua filosofia de vida na qual lutava contra as suas necessidades básicas, evitando alimentar-se de seres-humanos.

 

Aparentemente, parece uma premissa demasiado vaga e sem nenhum objetivo concreto, no entanto, o argumento de Anne Rice (Queen of the Damned – 2002) acompanhado pela realização de Neil Jordan (Greta – 2018), fornecem um storytelling único, no qual nos fazem crer que os vampiros de facto existem e que estamos perante relatos reais. Deste modo o interesse do espetador é preenchido conforme conhece mais detalhes sobre a vida de Louis, como os seus costumes, desejos, fraquezas e sobretudo as suas relações. Estas assumem a forma da pequena Claudia (Kirsten Dunst – Spider-Man – 2002-2007) na qual Louis nutre uma ligação familiar e Lestat, sendo que com este vive uma bizarra e incompreensível relação homoerótica. Um dos pontos que o filme não responde é precisamente a ligação entre os dois protagonistas que em diversos momentos parecem existir como uma analogia para a homossexualidade. Contudo não me surpreende, pois, em 1994, explorar um tema como esse numa produção de Hollywood era observado praticamente como algo proibido.

 

Os dois primeiros terços são bastante interessantes, pois apresentam-nos uma história simples, totalmente atrativa e sobretudo intriguista, contudo esta perde-se no terceiro ato, no qual somos apresentados a novas personagens, que nos transportam para uma visão mais fantasiosa e, ao mesmo tempo desinteressante do percurso de vida do protagonista. Para mim, esta mudança narrativa foi a grande estaca no coração de Interview with the Vampire.

 

Num panorama técnico, esta obra encontra-se sensacional para o longínquo ano em que foi lançada. O guarda-roupa é magnífico, a maquilhagem é incrivelmente realista e os efeitos visuais também são muito bons – exceto nos momentos que os vampiros dão enormes saltos. Todos estes elementos, a par do argumento e da montagem, contribuem para a absorção do espetador na obra e para o desejo de quererem saber mais sobre a mitologia dos vampiros e o percurso pessoal de Louis.


Estamos perante uma produção que pode não ser capaz de se estabelecer como um dos filmes da nossa vida, mas que continua a afirmar-se num título interessante e ótimo para ser apreciado numa chuvosa noite de inverno. Recomendo-o a todos os fãs de boas histórias com elementos sobrenaturais. 


Pedro Quintão
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