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A Kid Like Jake(2018)

Há 14 dias | Drama, Família, | 1h32min

de Silas Howard, com Claire Danes, Jim Parsons, Octavia Spencer e Priyanka Chopra


A grande falha, a meu ver, de A Kid Like Jake está no afastamento criado entre o espetador e o verdadeiro protagonista da história. Como o título indica, seguimos a história de uma criança, Jake (Leo James Davis) que raramente vemos no filme, mas sim, que estamos constantemente a falar dele, através dos diálogos dos pais. Este rapaz de 4 anos tem uma forma diferente de se expressar por comparação aos colegas e, desde muito cedo, não se adequa aquilo que a sociedade associa ao seu género.

A longa acaba por ser mais sobre a forma como os adultos lidam com a situação do que propriamente a criança em si. Os pais envolvem-se, desde o começo, numa procura por escolas, onde Jake terá menor probabilidade de sofrer bullying por ser diferente. Esta busca dura o filme todo, reforçando as implicações negativas tanto a nível financeiro, como psicológico para esta família. Esta abordagem é fundamental, mas foi trabalhada de forma pouco atrativa. Torna-se aborrecida. O filme perdeu em não mostrar mais simplicidade. Afinal, se Jake é o protagonista devíamos vê-lo mais para entendermos a sua visão do mundo.

O enredo tem um ritmo lento e perde tempo com problemáticas que se desviam do tema principal. A Kid Like Jake quer falar sobre a não identificação de género, sobre a transexualidade, mas não se aprofunda.

A minha curiosidade para ver este filme surgiu pela sua temática relevante e pouco explorada no cinema - crianças que não se identificam com o seu género -, mas também por ter no elenco Jim Parsons – o famoso Sheldon da série The Big Bang Theory (2007-2019). Queria encontrá-lo noutro registo. Provou ser mais do que um bom ator de comédia, entregando uma interpretação dramática credível.

Octavia Spencer surge também na trama interpretando a diretora do colégio atual de Jake e mantém uma relação com uma mulher – algo que o filme faz questão de inserir rapidamente só para se mostrar ainda mais inclusivo. Era desnecessário.

Apesar de tudo, A Kid Like Jake deixa-nos com uma mensagem fundamental: as crianças diferentes da maioria sofrem muito, precisam de pais que as defendam, que lutem em vez de estarem em negação. Acima de tudo, os pais devem amar os filhos incondicionalmente.


Rafaela Teixeira
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