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It: Chapter Two(2019)

Há um mês | Horror, | 2h49min

de Andy Muschietti, com Jessica Chastain, James McAvoy, Bill Hader, Isaiah Mustafa, Jay Ryan, James Ransone, Andy Bean e Bill Skarsgård


A antecipação era imensa e compreensível. It (2017) revelou-se não só um filme bastante meritório, como também o número 1 em bilheteira no que diz respeito ao género de terror. Um autêntico blockbuster. Naturalmente, o realizador Andy Muschietti e o argumentista Gary Dauberman regressam para capitalizar o sucesso em It: Chapter Two, o filme mais ambicioso e ousado das suas carreiras. Embora fique a dois ou três passos do primeiro capítulo em termos de foco e clareza de narração.

Vinte-sete anos depois do seu primeiro encontro com o aterrorizador Pennywise (Bill Skarsgard), o Clube dos Perdedores - Beverly (Jessica Chastain), Bill (James McAvoy), Richie (Bill Hader), Ben (Jay Ryan), Eddie (James Ransone) e Stanley (Andy Bean) - cresceram e foram às suas vidas. No entanto, Mike (Isaiah Mustafa) permaneceu em Derry, local onde terríveis assassinatos testam a hipótese do regresso de Pennywise. Pressionados pela promessa do passado, o Clube dos Perdedores deve regressar e enfrentar a temível ameaça, assim como as suas próprias angústias.

Enquanto It triunfou sobre a tese de que aquilo a que se atribui medo pode assumir imensas formas, consoante a experiência de cada um, It: Chapter Two está mais interessado no ângulo do trauma. A dura realidade de perceber que muitos dos nossos medos adolescentes transitam connosco para a vida adulta e influenciam escolhas e rumos. O argumento apresenta o conceito de forma digestível e podia ter dedicado mais tempo à importância do mesmo, em vez de desarticular a narrativa com subenredos que meramente acrescentam tempo desnecessário ao filme (2 horas e 49 minutos).

Visualmente, Muschietti não deixa nada ao acaso. Desde a fluidez das transições entre cenas até à diversidade de monstros e imagens macabras, o realizador está mais lúdico e confiante. Ainda assim, a forma como constrói as cenas que almejam o susto tende a evocar mais graça do que pavor. É certo que o antagonista é um palhaço assassino, mas por vezes é palhaçada a mais e terror a menos. Então quando a questão da mitologia de Pennywise é levantada, a história atinge o seu ponto mínimo de valor de entretenimento.

Sem surpresa, o elenco que encarna a versão crescida do Clube dos Perdedores está mais que à altura do desafio. O destaque vai para Harder e para as suas interações com Ransone, que proporcionam alívios cómicos a uma narrativa que consegue momentos bastante obscuros. Do outro lado do espetro está a falta de química entre Chastain, McAvoy e Ryan no que diz respeito às suas facetas mais românticas. Quando não estão nesse registo, interpretam bem os respetivos papéis.

Quando vai à balança, It: Chapter Two perde para o seu antecessor mas continua a garantir diversão, agora numa escala maior e mais vistosa. É um circo de horrores que goza dos excessos da realização de Muschietti, mesmo que isso signifique perda de conexão com as personagens e com a sua jornada.


Bernardo Freire
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   7
 Pedro Quintão:   9
 Rafael Félix:   5