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Dark - 1ª e 2ª Temporada(2017-2019)

Há 4 meses | Crime, Drama, Mistério |

de Baran bo Odar e Jantje Friese, com Louis Hofmann, Tamar Pelzig, Karoline Eichhorn, Jördis Triebel e Maja Schöne


A Netflix tem sido um suporte incrível no que toca à divulgação de todo o tipo de séries. E o foco deixa apenas de ser apenas nos projetos dos Estados Unidos. Temos La Casa de Papel (2017-), uma série espanhola com um impacto enorme, tornando-se num grande fenómeno mundial. E, nessa categoria, insiro Dark. Desta forma, temos conhecimento e acesso a conteúdo que, se calhar, sem esta plataforma não conseguiríamos ter. Considero uma série muito difícil de explicar sem dar demasiado dela, mas vou tentar dar o meu melhor.

Dark, uma série original alemã tem como cenário uma pequena cidade alemã um tanto misteriosa. A história inicia-se com Jonas (Louis Hofmann), um jovem que depois de um tempo na psiquiatria em recuperação do suicídio do seu pai, tenta voltar à sua vida normal. Nisto tudo, compreende que um colega dele, Erik, encontra-se desaparecido. No entanto, o verdadeiro desenrolar da narrativa começa com o desaparecimento de Mikkel (Daan Lennard Liebrenz), filho do Ulrich (Oliver Masucci), polícia da cidade. Pouco mais desenvolverei sobre a história porque não quero dar spoilers a ninguém.

Ao longo da série somos brindados com uma quantidade enorme, mas bem conseguida, de plot twists. E, em nenhum momento, são descabidos. Todos fazem parte e têm de estar no momento em que se encontram. Questões sobre o tempo, ordem das coisas, livre arbítrio são levantadas ao longo destas duas temporadas, e entendemos que é um tema mais profundo do que alguma vez imaginámos. Uma história com muito drama entre as personagens, desde traições a amor não correspondido, a descobertas inesperadas que fazem questionar tudo. Assistimos à devoção das personagens a algo que, inicialmente, não acreditam, mas que com o desenrolar da narrativa, começam a compreender. Assim como o espetador.

Este é um projeto bastante complexo e um pouco difícil de acompanhar. São imensas personagens que temos de conhecer e coligar para conseguirmos entender a evolução histórica. No entanto, quando se percebe, é como se ocorresse uma grande reviravolta no nosso cérebro que nos deixa “wow, o que raio acabou de acontecer?”. Cada episódio é um enigma que contém todo um conjunto de pormenores que precisam de ser notados para que se entenda o que se sucede. Eventualmente, nos episódios seguintes, compreendemos a fundo as razões dos acontecimentos.

A primeira temporada focou-se muito na apresentação das personagens. Por serem tantas, e todas terem um papel relevante acabamos por não conhecer muito a fundo cada uma delas. Eventualmente descobrimos o motivo da sua importância, como o seu papel influencia tanto a narrativa, e de como a sua presença não é fruto do acaso. Quanto à segunda temporada, já começamos a encontrar respostas a muitas perguntas levantadas anteriormente, no entanto, criam-se novos enigmas. O fim desta temporada abriu todo um conjunto de opções que até agora nunca tinham sido levantadas.

A série não tem muita preocupação de chegar ao seu término. Tem um ritmo muito próprio, alguns momentos mais rápidos, outros mais lentos, mas tudo em harmonia com a narrativa. O que torna a experiência visual muito mais interessante.

“The distinction between past, present, and future is only a stubbornly persistent illusion.” Foi esta frase de Einstein que iniciou a série e, sem dúvida, não há outra maneira de descrevê-la. A todos os que gostam de séries complexas e que precisam de um grande esforço mental para a acompanhar, aconselho vivamente esta série. Um trabalho que vale mesmo a pena pela sua construção visual e pela narrativa em si. Apenas, incrível.


Raquel Lopes
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