Inscreve-te e tem vantagens!

The Two Popes(2019)

Há 26 dias | Biografia, Comédia, Drama, | 2h5min

de Fernando Meirelles com Anthony Hopkins, Jonathan Pryce e Juan Minujín


Numa altura em que a Igreja Católica passa por uma grande crise, considero que este filme tenha sido estratégico e muito bem planeado. A Netflix aproveitou esta deixa para dar visibilidade a esta longa-metragem de Fernando Meirelles. Uma adaptação do The Pope de Anthony McCarten.

The Two Popes conta-nos um pouco da história da sucessão do Papa Bento XVI (Anthony Hopkins) para o Papa Francisco (Jonathan Pryce), e apresenta-nos as raízes do Cardeal Jorge Bergoglio (para quem não sabe, o nome verdadeiro do atual Papa), e compreender todo o seu percurso, inseguranças, medos.

Apesar de ser um filme baseado em factos verídicos, há alguns aspetos que são fictícios mas com uma narrativa necessária para uma melhor compreensão dos problemas da atualidade, expondo no seu enredo as maiores vulnerabilidades que a Igreja enfrenta. Dou o exemplo concreto dos encontros entre os Papas anteriores ao anúncio da resignação de Bento XVI que, na realidade, nunca aconteceram.

Para desmistificar todo o preconceito que possa existir à volta do filme – qualquer que seja a vossa religião, crença (ou falta dela), esta obra é adequada a todos. E é isso que torna esta longa diferente, que lhe dá o devido destaque e o que a tornou num dos meus filmes favoritos de 2019. Claro que o tópico da fé era imprescindível, mas o enredo foca-se maioritariamente nas personagens claramente antagónicas, com uma mentalidade completamente diferente uma da outra e, apresenta a sua dinâmica enquanto pessoas e o seu papel na sociedade atual.

Sim, a obra gira toda à volta do diálogo dando uma grande seriedade ao mesmo, mas sempre acompanhado com momentos cómicos que trazem o equilíbrio perfeito e uma excelente experiência ao espetador. Foi a maneira encontrada de não tirar o cariz maduro da narrativa e ao mesmo tempo não o tornar cansativo ou monótono. Parte destes momentos foram conseguidos também com a banda sonora que, efetivamente, introduziam as cenas sérias e também as cómicas. Como no início, vemos o então Cardeal Jorge a assobiar a Dancing Queen dos ABBA e, o momento a seguir iniciou com essa mesma música acabando por tirar o peso sério do ambiente (por uns breves instante).

Uma realização bastante limpa, adequada a cada cena e a cada momento. Em alturas em que o diálogo era mais longo, tentou-se dar-se mais dinamismo na captação da imagem, podendo assim observar-se mais movimento. Quanto às performances, não posso apontar nada de nada. Anthony Hopkins a trazer ao ecrã uma personagem extremamente conservadora e a conseguir, muito facilmente, transmitir essa ideia. E, Jonathan Pryce a apresentar-nos um dinamismo que acredito que seja muito semelhante ao de Papa Francisco. Realço ainda positivamente a prestação de Juan Minujín que representou o atual Papa na sua fase mais jovem. Trazendo o dinamismo necessário à longa-metragem.

Em suma, um filme que capricha imenso no enredo, com uma realização bastante adequada e que em nenhum momento se torna aborrecido. Aconselho, mais uma vez, a todos os espetadores a verem esta obra, esquecendo por umas horas qualquer opinião que tenham sobre a religião. 


Raquel Lopes
Outros críticos:
 Rafael Félix:   7
 Bernardo Freire:   8