Preparados para 2h de ação non-stop?

Preparados para 2h de ação non-stop?

2015
Ação, Aventura, Sci-Fi | 2h
de George Miller, com Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keays-Byrne e Josh Helman


Explicar a alguém o porquê de ter gostado de Mad Max: Fury Road chega a ser engraçado. Porquê? Porque são 2h de carros atrás de carros, um simples Road-Trip. Bem, como é óbvio Mad Max: Fury Road é muito mais que isso.

Antes que tudo, o realizador. George Miller, que realizou a trilogia Mad Max com Mel Gibson no papel de Max (1979-1985), muitos o viam na reforma, ninguém estava à espera de um senhor com 72 anos (70 anos em 2015) fazer um filmaço daqueles cheio de ação. E, melhor que tudo, George Miller queria ser radical, menos efeitos visuais possíveis, queria quase tudo ao real.

O que nos conta Mad Max: Fury Road?

Max (Tom Hardy) assombrado por um passado pesado (perdeu a sua família, continuação da trilogia) acredita que a melhor maneira de sobreviver é permanecer sozinho neste mundo pós-apocalíptico onde as duas coisas mais valiosas são: a gasolina e a água. Este é capturado por um dos clãs sob o comando de Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), o líder tirânico da Citadela. Immortan Joe controla o nível de água que é dado ao povo, as exportações dos carros que trabalham para si,  tem escravas mulheres a dar-lhe “leite” através de máquinas, sim, é estranho eu sei, mas faz parte do universo do filme. E acima de tudo tem várias “esposas” que possam engravidar dele. Um dos seus mais fiéis, o “Imperador” Furiosa (Charlize Theron), é enviada para uma missão, trazer gasolina à Citadela a bordo de um camião. Depois de Furiosa abalar, Immortan Joe descobre que foi traído, vendo que lhe desapareceram cinco das suas melhores “esposas”. Immortan Joe lança, atrás de Furiosa, todo o seu exército motorizado por todo o deserto. Sem tendo grandes hipóteses, Max é preso/atado na parte da frente do veículo de Nux (Nicholas Hoult) e terá de sobreviver a esse Road-Trip.

Preparados para 2h de ação non-stop?

Furiosa é a personagem mais interessante da longa, sendo o centro das atenções, pois toda a trama do filme é originada pelas suas escolhas. Um grande sim à representação de Charlize Theron que, depois de rapar o cabelo, tem para mim o seu melhor papel de sempre. Tom Hardy passa quase metade do filme com a cara tapada por uma máscara de ferro, pois é capturado e “algemado”. Como Christopher Nolan disse numa das suas entrevistas, e como referi na minha crítica do Dunkirk, Tom Hardy apenas necessita do seu olhar para demonstrar talento. Incrível. Nicholas Hoult também tem um personagem muito agradável de seguir, os tons de comédia são com ele. Ele lança a tal famosa frase do filme: “What a lovely day” – “que belo dia” – antes de entrar dentro de uma super tempestade de areia.

É de loucos o argumento deste filme “caber” numa página. Em termos de pontos-chave, é simples. Furiosa roubou as cinco mulheres e Immortan Joe manda a sua tropa atrás dela. Mas em termos visuais, conta-nos tudo. É, sobretudo, uma história visual, poucos diálogos e muitas ações.

Houve uma cena que me chamou à atenção, foi quando Max quis tirar as suas algemas e a sua máscara, o coração dele começou a bater de tal forma que quando dei por mim estava em pânico tal como ele. O poder sensorial do som no filme é fundamental e quando é intenso e alto, mais sensorial se torna para nós.

Então, o que é Mad Max: Fury Road?

Sinceramente, uma experiência. Quando um filme de 2h com pouco diálogo, guiado apenas por cenas de ação que alimentam um Road-Trip não nos faz desviar o olhar nem um segundo por alguma razão é. Quando um remake/sequela é superior à sua trilogia de origem, significa que o seu objetivo foi atingindo. Foi um grande sucesso a nível de críticas. Considerado dos melhores blockbusters dos últimos anos. Concordo totalmente.

Sejamos honestos, este filme é adrenalina, testosterona, violência e muita ação num misto sensorial acompanhado por uma das melhores bandas sonoras destes últimos anos! Junkie XL (conhecido por ter acompanhado Hans Zimmer em Batman V Superman) tem umas das bandas sonoras que mais gosto de ouvir de sempre, sou fã. Também tem uma fotografia belíssima, cheia de cores vivas, tal como a tempestade de areia, ou mesmo as cenas de noite.

80% do filme foi realizado sem efeitos visuais, ou seja, 80% do filme foi realmente feito ao vivo! Quando é para explodir carros, eles explodem de verdade. 150 stunts – duplos – foram usados para serem filmados nas cenas de ação, não podiam ser apenas atores, pois o perigo era imenso, e para filmar cenas à primeira tinha de ser com profissionais.

Querem mais algum argumento para irem ver este filme? Vencedor de 6 Óscares em 2016, todos para a parte técnica que é fabulosa.

Aconselho a todos os amantes de filmes de ação e ficção científca a irem ver Mad Max: Fury Road e aconselho a todos os que quiserem passar um bom momento de cinema e uma experiência nova.


por Alexandre Costa