Portugal Não Está à Venda não funciona totalmente, porque torna-se num filme demasiado descontraído.  Trata-se de uma sátira exagerada com pouco impacto.

Portugal Não Está à Venda não funciona totalmente, porque torna-se num filme demasiado descontraído. Trata-se de uma sátira exagerada com pouco impacto.

2019
Comédia | 1h40min
de André Badalo, com Pedro Teixeira, Rita Pereira, Ana Zanatti, Dalila Carmo, São José Correia, Maria Vieira, Tiago Teotónio Pereira e Diogo Piçarra


Portugal Não Está à Venda chegou recentemente às salas de cinema. Trata-se de uma comédia portuguesa, realizada por André Badalo.

A narrativa inicia fazendo referência a D. Sebastião e à esperança que sempre existiu no seu regresso. Isto para depois apresentar um Portugal decadente, em falência e a ameaçado pelo domínio de outros países. Esta ideia é fundamental para os tempos que vivemos e é compreensível que se tenha escolhido fazer uma comédia, pois por vezes, só mostrando o ridículo é possível educar. Mas é uma boa comédia? Já lá vamos.

No elenco podemos encontrar nomes como Pedro Teixeira (Sebastião, o jornalista que tenta salvar o país da desgraça), Rita Pereira (Sara, namorada de Sebastião), Dalila Carmo e São José Correia (duas mulheres pobres que procuram o dinheiro nos bolsos de milionários), Maria Vieira (uma mulher que tenta salvar o seu marido), entre outros muitos nomes.

Os temas abordados são fundamentalmente a pobreza, a corrupção, a saúde, o futebol que distrai as massas, e o envelhecimento do país. Para fazer comédia, o filme limita-se em alterar nomes, como por exemplo, chamar alguém de “Pilão Barroso”. Além disso, há uma cena em que sons de peidos, como aqueles que podemos encontrar em aplicações para partidas (do mais falso que há) são utilizados. Obviamente que causa o riso, mas não por ser boa comédia, mas, sim, pelo ridículo.

Existem demasiados subenredos e facilmente perdemo-nos na história. A única ligação que temos é que todos estão a passar por dificuldades por viverem em Portugal. Além disso, um erro gravíssimo é perdermos a noção do nome das personagens (muitos nem chegamos a saber, porque só estão lá para servir de estereótipo de algo) e não sentirmos qualquer emoção pelas mesmas, pois, a construção narrativa para que nos importemos com elas não foi bem concebida. O arco das personagens parece ter sido esquecido, não existe evolução. Vemos sempre o mesmo, em circunstâncias diferentes.

Outra coisa que me incomoda bastante e que acontece muito em filmes nacionais é o facto de se colocar no cast imensos atores, muitas vezes só para dizer que fizeram parte do filme. Não há necessidade de tantas personagens só porque sim. Apenas tornou o filme mais pesado e confuso. Já para não falar da participação de Diogo Piçarra em duas cenas curtas que não fez qualquer sentido.

A performance dos atores e o seu esforço foi o aspeto mais positivo. No entanto, os figurantes não fazem parte deste grupo…a um dado momento, parecia que estava a ver um filme amador do Youtube. Quem segura todo o filme e entrega de facto boa comédia é a atriz Maria Vieira que, como sempre, está excelente.

A nível da fotografia não existem grandes problemas, mas a nível técnico consegue-se notar alguma falta de experiência. O ritmo também não está no ponto certo, pois sendo um filme confuso torna-se aborrecido.

A meu ver, Portugal Não Está à Venda não funciona totalmente, porque torna-se num filme demasiado descontraído (talvez por ter sido gravado numa época e local descontraído) e o argumento precisa de sérios ajustes. Trata-se de uma sátira exagerada com pouco impacto no que toca ao riso, o que é grave considerando que foi anunciado como um filme de comédia. 


por Rafaela Teixeira