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Robin Hood(2018)

Há 9 meses | Ação, Aventura | 1h56min

de Otto Bathurst, com Taron Egerton, Jamie Foxx, Ben Mendelsohn, Eve Hewson e Jamie Dornan


Tornar o jovem rebelde inglês num super-herói ao estilo de Green Arrow era uma questão de tempo. A evidência de que Hollywood não percebe que a sede por dinheiro tende a bloquear os neurónios criativos choca-me. Principalmente quando aliam este reciclar de ideias a tentativas de criar franquias ao estilo da Marvel. Aconteceu com Dracula Untold em 2004 e com The Mummy King Arthur: Legend of the Sword em 2017. Nenhum dos filmes consagrou o capítulo seguinte que prometeu, Robin Hood não vai ser exceção.

Depois de ter sido dado como morto durante a Cruzada, Robin de Loxley (Taron Egerton) começa um treino intensivo de arco e flecha com John (Jamie Foxx) - um dos seus adversários na guerra, cujo filho Robin tentou salvar. O objetivo é nobre: derrubar a ditadura do impiedoso Xerife de Nottingham (Ben Mendelsohn). Entretanto, Maid Marion (Eve Hewson), o interesse amoroso de Robin antes da guerra, também planeia agir contra o governante corrupto com a ajuda do seu companheiro atual, Will (Jamie Dornan). Ao assumir o capuz da justiça, "Robin Hood" começa a sua missão de roubar aos ricos para dar aos pobres, enquanto se aproxima do Xerife para o derrubar de uma vez por todas.

A primeira encarnação da história de Robin Hood no cinema remota a 1938 com o filme The Adventures of Robin Hood. Várias adaptações foram feitas desde então, o que exigia ao estreante realizador Otto Bathurst mais do que um toque de inovação. Mas cedo percebe-se que Robin Hood não só é inapto no campo da imaginação, como também falha em termos de entretenimento. Salvo as vezes sem conta em que a comédia involuntária faz valer o dinheiro do bilhete.

O espaço temporal é indefinido e o guarda-roupa não ajuda. Isto porque apesar do filme transmitir ideias medievais, ilustra algumas roupas que podiam muito bem ter sido compradas na H&M em pleno século XXI. Para não falar nas metralhadoras de flechas, que só vêm acumular à confusão.

Quanto à ação, montada ao estilo do filme 300 (2006), também não é particularmente feliz - peca por excesso de close-ups, a câmara agita demasiado e os efeitos de aceleração e desaceleração não promovem o ritmo das sequências. Tudo isto levanta a questão: O que é que o filme se propõe a explorar? As personagens?

Também não. O argumento dos estreantes Ben Chandler e David James Kelly não faz ideia de como concretizar aquilo a que se propõe. Parte desse falhanço é a caracterização das personagens. Egerton, no papel de Robin, consegue uma performance competente, ainda que não possua o carisma natural da personagem. O filme estabelece o seu romance com Hewson como um dos elementos chave, mas não lhe confere qualquer tipo de profundidade. Já Mendelsohn, apesar de convencer no papel, tem o mesmo tratamento, não passando de um peão nas mãos da Igreja Católica.

Eventualmente, esta moda de derreter milhões no ecrã com efeitos especiais na esperança de criar franquias irá acabar. Por muito bom que seja o elenco, não consegue salvar um filme onde quase todas as decisões artísticas deixam a desejar. Tenham isto em mente, se há coisa que Robin Hood consegue roubar, é o teu tempo.


Bernardo Freire
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