Peca por não ter uma protagonista icónica e possuir uma história demasiado simples, mas é um bom petisco para Avengers: Endgame.

Peca por não ter uma protagonista icónica e possuir uma história demasiado simples, mas é um bom petisco para Avengers: Endgame.

2019
Ação, Aventura, Sci-Fi
de Anna Boden e Ryan Fleck, com Brie Larson, Samuel L. Jackson, Ben Mendelsohn, Jude Law, Lashana Lynch, Annette Bening e Clark Gregg


21º filme do Marvel Cinematic Universe em 11 anos – sim, 21º filme. Leram bem. Após um filme centrado na política com Black Panther (2018) (recentemente vencedor de 3 Oscars), este é o primeiro grande filme com uma heroína no protagonismo: Captain Marvel. É engraçado ver o quanto a Marvel está adiantada em relação à DC Comics, mas que a DC lançou o seu filme Girl Power primeiro, com o muito bem recebido: Wonder Woman (2017).

Após o seu teasing no Avengers: Infinity War (2018) e antes do tão aguardado Avengers: Endgame, Captain Marvel vem introduzir possivelmente a heroína que estará prestes a dar uma coça ao Thanos.

O que nos conta o filme?

Vers (Brie Larson) vive em Hala, o planeta dos Kree. Um povo humanoide que possui uma tecnologia avançada. Vers perdeu a memória, lembrando-se apenas dos seus treinos e da sua vida em Hala. Ela tem a habilidade de lançar faíscas de energia pelas suas mãos. O seu mentor, Yon-Rogg (Jude Law) ensina-lhe a controlar os seus poderes e a melhorar as suas emoções. Tudo indica que Vers poderá tornar-se na super-heroína mais poderosa de todo o universo e que talvez, a Terra, poderá fornecer respostas de mistérios inexplicáveis.

A sequência de abertura remete-nos diretamente ao coração do assunto. Apresentando-nos Vers com amnésia, perdida e à procura de respostas sobre si mesma. Também percebemos que existe uma grande guerra entre o povo Kree e o dos Skrulls.

A narrativa, embora linear e pouco complexa – pois, é mais uma origin story a la Marvel – pode surpreender pela forma como a edição vem embelezar e dar estilo ao argumento. A amnésia da protagonista está no centro da história, e conforme o enredo progride, somos beneficiados por flashs com algum look interessante e inovador que conta-nos aos poucos, quem é, de onde vem e quem será Vers. Embora tudo seja simples, existem algumas reviravoltas bastante bem conseguidas.

A realização de Anna Boden e Ryan Fleck é agradável – no entanto, está longe dos últimos filmes da Marvel no que toca à ação e aos combates. Viajamos bastante ao longo do filme e conhecemos inúmeras personagens, que nos fazem agarrar à tela com facilidade. Os décors, as naves, os planetas e os mundos, estão todos bem realizados.

Vamos agora ao que interessa: a personagem da Captain Marvel. Gostei de algumas coisas e desgostei de outras. Quando a Brie Larson está em tela com o Samuel L. Jackson, funciona. Funciona muito bem. Existe uma química natural que contribui ao filme um tom mais leve, alguma comédia e mais interesse. Digo o mesmo quando Larson partilha a tela com Jude Law. Agora, o meu maior problema com a longa-metragem é a protagonista e a empatia que tenho por ela. Sozinha, torna-se aborrecida e um pouco arrogante. Estamos longe de um filme sobre a defesa do feminismo, ainda que, a mensagem final seja isso mesmo – ela não tem de provar nada a ninguém. Desculpem novamente a comparação, mas estamos a anos-luz da bondade e do ícone que é Gal Gadot em Wonder Woman. Não consigo imaginar as jovens meninas identificarem-se com tanta facilidade à Captain Marvel.

A banda sonora também não é memorável, nem a fotografia. Felizmente, o filme ganha pontos no seu CGI, nos combates aéreos e nas explosões. São talvez os melhores efeitos visuais de todo o MCU. A conceção das naves remetem-nos para um Star Wars. E, claro, tirarem 30 anos ao Samuel L. Jackson está soberbamente incrível. É algo assustador não acham?

Os anos 90’s estão bem idealizados, desde os carros, as ruas e as casas. São sublimados por músicas icónicas, como a Come as Your Are dos Nirvana. Aproveitam a época para fazerem referências aos filmes desses anos. Desde roubar roupa e uma mota como no Terminator: Judgment Day (1991), uma cena de ação humorística como no Indiana Jones (1981), cenas semelhantes a Men in Black (1997), um clímax como no Indepedence Day (1996) e ainda uma frase icónica do Buzz Lightyear vinda de Toy Story (1997).

Para concluir, Captain Marvel é um bom entretenimento, que peca por não ter uma protagonista icónica e possuir uma história demasiado simples. O filme propõe-nos uma excelente relação entre as personagens, cenas de ação bem concebidas e um “gato” querido que me fez rir mais do que uma vez. Aconselho aos fãs deste universo cinematográfico. Poderá desiludir se estiverem à procura de uma obra de arte. Foi diferente daquilo que imaginava. É um bom petisco para o tão aguardado Avengers: Endgame. Prepara-te Thanos, a Carol Danvers chegou!

Menção especial à homenagem ao Stan Lee no início do filme que é capaz de comover os fãs.


por Alexandre Costa