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Paterson(2016)

Há um mês | Comédia, Drama, Romance, | 1h58min

de Jim Jarmusch, com Adam Driver, Golshifteh Farahani, Nellie e Rizwan Manji


Paterson é daqueles filmes que as pessoas adoram ou destestam. Consigo entender as duas posições, porém, estou incluída no primeiro grupo de pessoas.

Numa indústria cinematográfica em que estamos habituados a ver cortes e velocidade desmedida, este filme surge como um sopro de ar fresco. Nele não há nada de conflituante, aquele momento que podemos dizer que mudou o rumo da história. Até identificar os atos não é tarefa fácil. O que é ótimo, pois mostra que não é previsível. O que está demonstrado no filme é a rotina e momentos por si só. Mas afinal, a vida não é isso mesmo?

Acompanhamos Paterson (Adam Driver), um homem casado que conduz diariamente um autocarro pela cidade; ouve as conversas triviais dos passageiros; chega a casa; janta; sai para passear o cão e aproveita para ir beber uma cerveja ao bar local. A par de tudo isto, Paterson tem uma grande paixão por escrever poesia.

Muita gente poderá fugir pela sinopse que é dada, porque aparentemente não há realmente nada que aconteça, não há um começo ou um fim, não há relações causa-efeito, apenas a vivência. O filme consegue esse feito de retratar a rotina como ela é. Nesse sentido, funciona como um poema à simplicidade da vida quotidiana.

No elenco destaca-se Adam Driver que consegue sempre ter um tom muito sóbrio, facilitado pelo timbre da sua voz. Também Golshifteh Farahani, que faz de esposa do personagem, tem uma performance competente de uma jovem sonhadora.

Os pontos negativos apontados poderiam ser o ritmo demasiado lento, o enredo pouco cativante e aborrecido, mas a verdade é que no final de tudo percebemos o porquê do filme ter sido feito e pensado desta forma.

Paterson aproxima-se realmente da vida e das sensações que a mesma carrega. Por vezes, os dias são mesmo cheios de nada, mas é desses nadas diários que se forma tudo. 


Rafaela Teixeira
Outros críticos:
 Rafael Félix:   8
 Alexandre Costa:   8
 Bernardo Freire:   7