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Hustlers(2019)

Há 2 meses | Comédia, Crime, Drama, | 1h47min

De Lorene Scafaria, com Constance Wu, Jennifer Lopez, Julia Stiles, Keke Palmer e Lili Reinhart


Para uma história com tantas strippers formosas de um lado para o outro, em danças de varão ou no colo, Hustlers não me deixou tão entusiasmado como era suposto. O que não quer dizer que a realizadora e argumentista Lorene Scafaria não tenha feito um trabalho competente ao adaptar o artigo que serviu de inspiração para o filme. A autora do mesmo foi Jessica Pressler e o conteúdo estava relacionado com um esquema levado a cabo por dançarinas exóticas para extorquir os seus clientes.

Em 2007, Destiny (Constance Wu) está recém-empregada num bar de strippetease em Nova Iorque e boquiaberta com as capacidades de Ramona (Jennifer Lopez) enquanto entertainer. Após a sua aproximação, a relação estritamente profissional rapidamente transforma-se em amizade e juntas fazem rios de dinheiro, isto claro, até à crise imobiliária de 2008. O insucesso leva a uma separação e a uma eventual reunião, desta vez com um plano ilícito que envolve a ajuda de mais duas dançarinas, as belíssimas Mercedes (Keke Palmer) e Annabelle (Lili Reinhart).

A narrativa salta no tempo à medida que Destiny e Ramona relatam a uma jornalista (Julia Stiles) acontecimentos passados. Entre os detalhes, a essência da conversa está na relação entre as personagens e as razões que as levaram ao crime. A execução tem mais em conta o estilo do que a substância, ainda que haja a tentativa de estabelecer um elo emocional que nunca chega a ter grande ressonância.

Dito isto, é na sua primeira metade que o filme realmente consegue brilhar, onde a realizadora leva o seu tempo para construir o mundo em que despe as personagens sem que elas percam qualquer dignidade. Durante esse tempo, a câmara é mais energética e o ritmo acelerado, ao estilo de The Wolf of Wall Street (2013), no qual também assistimos a uma realização vibrante e dada aos excessos dos relatos verídicos nos quais se baseia.

No entanto, quando os golpes começam a acontecer, a narrativa entra numa espiral repetitiva e com ela o seu valor de entretenimento decresce. Isto quando o enredo devia estar na sua fase de maior suspense e atribulação. É também neste estágio que o facto da direção de arte ser tão limpa e aprimorada começa a criar uma artificialidade que afeta a credibilidade da história.

No campo das atuações, Constance Wu pode ser a protagonista, mas é Jennifer Lopez que rouba todas as cenas em que consta. A sua atitude coloca as restantes performers na sombra e aos 50 anos é ainda uma presença feminina altamente sedutora e aliciante. Todavia, Lili Reinhart também deve ser mencionada pela vulnerabilidade que oferece a um papel que tem pouco sumo para espremer.

O que acaba por ser um problema geral do filme, não tanto pelo sumo, mas pela modesta exploração do psicológico das personagens. Temos as suas motivações, sim, mas podia haver mais atrevimento dada a excentricidade do cenário e a desenvoltura estética das personagens. Resta algum entretenimento, um par de risos e boas vistas.


Bernardo Freire
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   6