Para apreciadores do género, The Notebook consagra-se como uma excelente obra, capaz de comover e até mesmo de fazer derramar lágrimas.

Para apreciadores do género, The Notebook consagra-se como uma excelente obra, capaz de comover e até mesmo de fazer derramar lágrimas.

2004
Drama, Romance | 2h3min
de Nick Cassavetes, com Gena Rowlands, James Garner, Rachel McAdams e Ryan Gosling


Antes de iniciar esta crítica, devo confessar que não me considero um apreciador do género de romance. São raros e excecionais os casos que apreciei, a maioria das obras românticas entregam-nos enredos aparentemente aborrecidos e até mesmo enfadonhos. Contudo, sugeriram-me a visualização de The Notebook (2004), realizado por Nick Cassavetes (Alpha Dog – 2006) e com Ryan Gosling e Rachel McAdams no papel do casal protagonista.

 

A história gira em torno de um senhor no asilo, que todos os dias, lê o capítulo da bela história de amor entre Noah e Allie, a uma senhora com problemas de memória, devido à sua velhice.

 

Apesar de detestar histórias de amor, The Notebook entrega-nos uma bela história, confesso. O argumento usa e abusa dos clichés do género, de cenas aborrecidas para quem não é fã de romances, dos diálogos deprimentes e etc. Não considero algo extremamente negativo, aliás, é isso que o público-alvo exige. Entretanto, retiraria alguns diálogos e cortava 15 ou 20 minutos na sua duração.

 

Mesmo no longínquo ano de 2004, os protagonistas, Ryan Gosling e Rachel McAdams, demonstravam a sua aptidão como atores, ao prestarem atuações belas e sólidas. Sem dúvida que foram ótimas escolhas de casting, até porque ambos os atores conseguiram construir um currículo composto por bons papéis nos anos consequentes. Atrevo-me a dizer, que se fosse produzido em 2019, The Notebook contaria com uma “lavagem” mais adolescente e um elenco terrível, como é da praxe nas obras atuais do mesmo género.

 

O realismo inerente às atuações de grande parte do elenco, também se deve à qualidade técnica da obra, essencialmente devido ao guarda-roupa. Este fornece-nos uma grandiosa contextualização da época em que cada cena se encontra associada e o mesmo acontece com a cenografia. Juntamente com a banda sonora, são aspetos técnicos que apreciei imenso. O mesmo já não posso argumentar sobre a fotografia, da responsabilidade de Robert Fraisse, esta é boa em algumas das cenas, porém, faz um péssimo uso da luz nas cenas noturnas, tornando tudo demasiado escuro.


Para apreciadores do género, The Notebook consagra-se como uma excelente obra, capaz de comover e até mesmo de fazer derramar lágrimas. Para o público que abomina este género, no qual me insiro, apenas se afirma como um filme agradável e tecnicamente bonito, mas que provavelmente jamais voltará a ser visto uma segunda vez.


por Pedro Quintão