Overlord consegue manter sempre uma narrativa tensa e rápida, além de um sentimento constante de peso psicológico.

Overlord consegue manter sempre uma narrativa tensa e rápida, além de um sentimento constante de peso psicológico.

2018
Terror, Ação | 1h50min
de Julius Avery, com Jovan Adepo, Wyatt Russell, Mathilde Ollivier, Pilou Asbæk e John Magaro


Estamos na noite anterior ao Dia D, horas antes da invasão às praias da Normandia, no auge da Segunda Guerra Mundial, quando uma equipa de soldados americanos é lançada para território inimigo. No meio de uma floresta a batalha é sangrenta, a sensação de morte paira no ar. Desta carnificina escapam poucos soldados, que se refugiam na casa de Chloe (Mathilde Ollivier), uma francesa que vive numa vila perto de um forte nazi com o seu pequeno irmão e a sua tia doente.

Aos poucos vamos conhecendo a história dos americanos, que passam a maior parte do tempo no sótão escondidos, acompanhados do pequeno e engraçado Paul (Gianny Taufer), a planear a sua missão, destruir a torre de comando do forte. Tudo muda quando percebem que a torre de comando não é tudo o que existe no forte. No subsolo do edifício são feitas experiências com humanos em condições muito sombrias. E isto vai marcar o filme até ao final, o twist do filme passa por estes testes desumanos, com resultados... Bem, mais vale ver o filme não?

Overlord mistura muito bem a ação e aventura com o horror, sendo um filme com bastantes cenas de suster a respiração. A parceria entre o realizador Julius Avery e o inigualável produtor J.J. Abrams deu frutos. O filme consegue manter sempre uma narrativa tensa e rápida, além de um sentimento constante de peso psicológico brilhante, transmitindo-nos um terror bem para lá dos jumpscares. As cenas de guerra estão bastante bem filmadas, a iluminação e efeitos visuais estão no ponto - o que é excelente vindo de um realizador com tão poucas produções com a sua assinatura.

Não sou apreciador de terror cru, porém Overlord é mais do que terror. O filme conta uma história com fundos de verdade e um propósito, o horror vem quase como um complemento natural e orgânico.

Com o envolvimento de J.J. Abrams sempre se pensou que este filme se iria passar no universo Cloverfield. Após o estrondoso fracasso de The Cloverfield Paradox (2018) dou graças por os rumores estarem errado. Acabou por sair um filme fantástico num plano mais real. Overlord recomenda-se numa sala de cinema para uma imersão mais profunda. 


por Pedro Freitas