The Paradox é o título do filme apesar de nem ser o seu conceito. Os argumentistas é que estão em pleno paradoxo.

The Paradox é o título do filme apesar de nem ser o seu conceito. Os argumentistas é que estão em pleno paradoxo.

2018
Terror, Mistério, Sci-Fi | 1h42min
de Julius Onah, com Gugu Mbatha-Raw, David Oyelowo, Daniel Brühl, John Ortiz, Chris O'Dowd, Ziyi Zhang, Aksel Hennie e Elizabeth Debicki


Anunciado durante o Super Bowl, de forma surpreendente, The Cloverfield Paradox, saiu de imediato na Netflix.

Na minha opinião foi uma escolha arriscada, tendo em conta que os dois primeiros saíram nas telas de cinema. A minha pergunta é: porque é que o terceiro episódio da franquia não seguiu o mesmo caminho? Depois de assistir ao filme, obtive uma resposta.

O que nos conta o filme?

Após um acidente com um acelerador de partículas, uma estação espacial americana descobre que o nosso planeta Terra desapareceu. Os membros da estação irão confrontar-se com uma presença estranha perto das suas posições.

O terceiro filme aborda a origem do tema Cloverfield. Com um tema interessante e novato: a Terra desapareceu. A narrativa tem como objetivo responder a estas perguntas: será que realmente desapareceu? Foi destruída? Onde se encontra a estação espacial?

O problema do espaço-tempo distorcido mostra-se rapidamente respondido. O que não me deixou agradado. Uma pessoa misteriosa encontra-se teletransportada dentro da estação espacial, metade na parede. Achei este primeiro contacto perturbador, eficaz e ligeiramente assustador. O filme usa o tema de ficção científica como terror. Mais uma vez, não passa de um remake de Alien (1979) e do recente Life (2017). Um típico cliché de personagens confrontados com peculiaridades, situações violentas e uma explicação no final da longa.

Os pontos positivos são os personagens, que conseguem ser credíveis como cientistas (exceto um insuportável). Depois tenho outra opinião: Sem qualquer racismo da minha parte… há uma chinesa na equipa que não fala inglês. O líder tem de falar chinês com ela. Não seria mais fácil recrutar alguém que fale inglês? Que falem todos a mesma língua? Por exemplo, temos um alemão, que fala inglês. Porque não fazer o mesmo com todos? Enquanto membros de uma estação espacial, a comunicação é determinante!


Penso que The Cloverfield Paradox integra-se bem na trilogia, permite-nos explicar o porquê do “Caso Cloverfield”, do primeiro filme. A interrupção do espaço-tempo, as várias dimensões e temporalidades misturadas, são temas que aprecio.

 

A realização deixa muito a desejar, é dececionante. Os enquadramentos são estranhos, e as cenas de ação muito confusas. Não nos permite deixar entender o que está a acontecer em tela. Menciono uma passagem no espaço, onde observamos uma câmara tão instável que toda a ação é impossível de ser percebida.

O maior ponto negativo do filme é a facilidade com que se respondem às perguntas. Detestei a solução ao maior problema do enredo. Deu-me vontade de dizer: A humanidade realmente confiou o futuro a estas almas penadas?

The Paradox é o título do filme apesar de nem ser o seu conceito. Os argumentistas é que estão em pleno paradoxo. Como referi acima, o filme não saiu nas telas de cinema por uma razão. A resposta é simples, o filme não é digno disso.

Para concluir, aprecio o que J.J. Abrams quis fazer com esta licença de filmes. Resolve os mistérios de Cloverfield (2008) e 10 Cloverfield Lane (2016). É um filme para consumir numa plataforma como a Netflix, que rapidamente cairá no esquecimento. Uma desilusão.


por Alexandre Costa