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Little Women(2019)

Há 2 meses | Drama, Romance, | 2h14min

De Greta Gerwig, com Saiorse Ronan, Florence Pugh, Emma Watson, Eliza Scanlen, Timothée Chalamet, Laura Dern e Meryl Streep


Desde a sua primeira edição, em 1868, o adorado livro de Louisa May Alcot intitulado Little Women tem sido uma constante nas livrarias mundiais. Paralelamente, as suas adaptações são inúmeras, transpondo a obra para o cinema, televisão, teatro e até ballet e anime. A mais recente versão vem de Greta Gerwig, que faz deste o seu segundo filme depois do seu sucesso de 2017, Lady Bird.

No centro da história temos as irmãs March- Meg (Emma Watson), Jo (Saoirse Ronan), Beth (Eliza Scanlen) e Amy (Florence Pugh) - na sua infância e recente idade adulta, à medida que lidam com os constantes desafios familiares, amorosos, económicos e profissionais.

O que se destaca verdadeiramente nesta nova versão é que a realizadora-guionista não se limitou a fazer só mais do mesmo. Por isso, o filme até acaba por ser uma lufada de ar fresco em múltiplos sentidos. Ao retirar material e inspiração da própria vida e outros textos de Louisa May Alcott, Greta Gerwig cria uma adaptação que transcende ser apenas fiel, para genuína.

Em vez de apresentar a narrativa de maneira temporalmente linear como até agora tem sido feito, as duas fases das vidas das irmãs são entrelaçadas. Este para trás e para a frente é organizado de modo a comparar o estado das personagens nestes dois períodos diferentes das suas existências, correndo o risco de se tornar confuso mas nunca o sendo.

Neste contexto, pode-se elogiar a edição ágil e suave, bem como o uso inteligente da cor por haver tons contrastantes entre os dois planos, que por sua vez correspondem à realidade dos mesmos. Adicionalmente, não nos podemos esquecer da banda sonora, linda e impactante nos diferentes momentos, da cenografia e do guarda-roupa, leal ao período histórico e por si só uma estrela. Em conjunto, todos estes aspetos técnicos impulsionam elegantemente o desejado leque de sentimentos diferentes em harmonia incessante com a história.

Outro aspeto importante a marcar é o trabalho e química fenomenal do elenco. Apesar de não haver nem uma má interpretação, não é difícil para mim determinar o pódio das três melhores. Saiorse Ronan lidera outra vez um filme da realizadora e este de maneira tão boa quanto o último, provando mais uma vez ser a atriz incrível que é. Por outro lado, Timothée Chalamet dá uma vulnerabilidade e dimensão especial a Laurie, o amigo de infância das irmãs March, como ninguém mais o faria. Contudo, a verdadeira surpresa vem de Florence Pugh e da sua Amy. Esta recebe praticamente tanta atenção quanto Jo e é entre o presente e os flashbacks que realmente se vê o quanto cresceu, bem como a versatilidade da intérprete.

Desta forma, é com uma história já mais que conhecida que Greta Gerwig demonstra a sua criatividade e capacidade de criar obras que podem não ser grandiosas, mas ficam no coração. É na atenção ao detalhe e às diferentes personagens que se cimentam as suas relações e, portanto, as reações dos espetadores aos acontecimentos que se seguem.

Little Women prova, assim, ser intemporal ao interligar a modernidade com o passado e autêntico dos momentos mais pequenos de caos familiar aos diálogos marcantes. Terminei simultaneamente a desejar que não tivesse fim e emocionada pelo amor que irradia na sua demonstração de temas comuns, que não deixam por isso de ser importantes. É uma vitória em tantos sentidos, que já estou a pensar na próxima oportunidade para a revisitar.



Margarida Nabais
Outros críticos:
 Alexandre Costa:   8
 Rafaela Teixeira:   7
 Rafael Félix:   8
 Diana Neves:   9